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Notícia
Nova NR-1 amplia demanda por ouvidorias externas nas empresas
Mudança na norma que obriga companhias a mapear riscos psicossociais acelera adoção de canais independentes de escuta e mediação
01/01/1970 00:00:00
A entrada em vigor da nova NR-1, que obriga empresas e organizações a mapear e mitigar os riscos psicossociais, joga ainda mais luz sobre uma das ameaças mais graves à reputação de qualquer empresa: os casos de assédio. Na tentativa de evitar riscos e tratar de maneira correta esse tipo de ocorrência, empresas de todos os tipos e portes estão recorrendo às ouvidorias externas.
Embora, no Brasil, a auditoria externa (ou independente) seja obrigatória apenas para empresas de capital aberto, instituições financeiras, empresas de setores regulados e sociedades de grande porte, empresas ou grupos sob controle comum que possuem ativos totais superiores a R$ 240 milhões ou receita bruta anual acima de R$ 300 milhões, muitas outras estão implantando o recurso.
E os números mostram que elas têm razão em se preocupar. Segundo o estudo Panorama da Saúde Mental nas Organizações Brasileiras (2023), 38% de todas as licenças do INSS estão relacionadas a transtornos de saúde mental. Entre 2020 e 2024, a Justiça do Trabalho recebeu 458.164 novas ações envolvendo pedidos de indenização por dano moral decorrente de assédio moral no trabalho. Apenas entre 2023 e 2024, houve crescimento de 28%.
Ao mesmo tempo, a pesquisa Trabalho Sem Assédio 2025, conduzida pela Think Eva, em parceria com o LinkedIn, revela que quase metade dos profissionais já vivenciou assédio moral no trabalho. Porém, 48,5% deles não denunciaram por medo de demissão ou retaliação. O problema, portanto, não está apenas na existência dos canais, mas na forma como a escuta é estruturada.
Para a fundadora da Escuta Ativa, empresa especializada em ouvidoria externa 360, Juliana Filizzola, boa parte das empresas não sabe encaminhar a solução para denúncias de casos de assédio, e a ouvidoria acaba funcionando apenas como um receptor de reclamações.
“Um erro das empresas é contratar ouvidorias que são apenas plataformas, sem nenhuma interação humana. Quem denuncia, especialmente colaboradores, está com um problema grave, na maioria das vezes já tentou resolvê-lo e já passou por muitos constrangimentos. Conversar com uma máquina não é a melhor opção nesses casos. Dificilmente a pessoa vai conseguir expor a situação sem revelar quem é ou envolver terceiros. Isso coloca o anonimato em risco e, por isso, as pessoas não confiam e acabam desistindo de buscar ajuda. Se ela tem, do outro lado, uma pessoa treinada e independente da empresa ou instituição, tudo fica mais fácil”, explica Juliana Filizzola.
Atendimento humanizado amplia confiança nos canais de denúncia
Para prestar esse tipo de serviço, a Escuta Ativa conta com um time de profissionais com diferentes formações, todos capacitados em mediação e treinados para encaminhar o problema relatado para a área responsável da empresa.
“Nenhuma empresa tem bons resultados sem passar pelas pessoas. A ampliação da NR-1 é uma das legislações mais importantes. Uma empresa tem a obrigação de não piorar o estado mental e psíquico dos seus trabalhadores. Os riscos psicossociais não são tangíveis, são silenciosos e exigem uma escuta ativa, não apenas um formulário. Por outro lado, ouvir de forma estruturada permite identificar padrões, antecipar riscos e compreender a cultura corporativa real, aquela vivida no dia a dia”, pontua.
Para a executiva mineira, o caminho da denúncia dentro da empresa precisa ser estruturado e ágil. O relato recebido e analisado pelo especialista gera um relatório simplificado que é enviado à empresa sempre por duas áreas, RH e jurídico/compliance, por exemplo, de acordo com a natureza do episódio. A partir daí, a empresa tem 48 horas para dar a resposta, que pode ser contestada pelo manifestante, que deve receber o retorno final em até 72 horas úteis.
Até agora, a Escuta Ativa registrou 478 manifestações, das quais 339 foram finalizadas e 139 seguem em atendimento; 374 manifestações relacionadas a riscos psicossociais; categorização por severidade e tema, assédio, discriminação, jornada, acessibilidade etc.; dashboards anonimizados em tempo real com métricas de temperatura organizacional e recomendações, corretivas, preventivas, de comunicação e treinamentos.
“Evitamos o rótulo de ‘canal de denúncia’, priorizamos a confidencialidade e a mediação, possuímos atendimento por telefone, WhatsApp, site e e-mail, o que nos diferencia frente a plataformas automatizadas. Nós indicamos o caminho, mas a decisão é sempre da empresa. Não adianta ela ter os dados se a alta liderança não estiver verdadeiramente imbuída de atacar os problemas de assédio e mitigar os riscos psicossociais na raiz. Vemos muitas empresas que não dão autonomia para o RH, reduzindo-o às tarefas operacionais do dia a dia”, avalia a fundadora da Escuta Ativa.
O que muda com a nova NR-1
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) ampliou a responsabilidade das empresas sobre os chamados riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A regra exige que organizações identifiquem, avaliem e adotem medidas para prevenir fatores que possam comprometer a saúde mental dos trabalhadores.
Entre os riscos que passam a demandar atenção estão:
- assédio moral e sexual
- excesso de pressão e sobrecarga
- conflitos interpessoais recorrentes
- discriminação
- jornadas exaustivas
- ambientes organizacionais tóxicos
Na prática, especialistas avaliam que a mudança aumenta a pressão sobre as empresas para estruturar canais de escuta, investigação e prevenção, além de políticas internas voltadas à saúde mental e à gestão de pessoas.
Segundo dados da Justiça do Trabalho, entre 2020 e 2024 foram registradas mais de 458 mil ações relacionadas a assédio moral no trabalho. Apenas entre 2023 e 2024, o crescimento foi de 28%.
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