Material tem caráter orientativo e busca esclarecer dúvidas sobre a aplicação das normas, especialmente no contexto do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO)
Notícia
Por maioria, CARF exclui crédito presumido de ICMS da base de cálculo do IRPJ e CSLL, mas mantém multa isolada
O CARF, ao analisar o processo 15746.720198/2024-81, decidiu, em sessão de 28 de janeiro de 2026, dar provimento parcial ao recurso de uma empresa do setor industrial e comercial
01/01/1970 00:00:00
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), ao analisar o processo 15746.720198/2024-81, decidiu, em sessão de 28 de janeiro de 2026, dar provimento parcial ao recurso de uma empresa do setor industrial e comercial. O julgamento, que teve as preliminares de nulidade rejeitadas por unanimidade de votos, restabeleceu, por maioria, a exclusão dos valores correspondentes ao crédito presumido do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Entretanto, por voto de qualidade, a exigência da multa isolada sobre o crédito tributário remanescente foi mantida.
A principal controvérsia residia na tributação dos créditos presumidos de ICMS. A fiscalização argumentava que a contribuinte não havia cumprido os requisitos do artigo 30 da Lei nº 12.973, de 2014, e suas alterações pela Lei Complementar nº 160, de 2017. Estas normas exigem o registro dos valores de subvenção para investimento em reserva de lucros específica e vedam sua distribuição para fins alheios à absorção de prejuízos ou aumento de capital social, como a distribuição de dividendos. A autuação fiscal defendia que o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) nos Embargos de Divergência em Recurso Especial (ERESP) nº 1.517.492/PR, que afastou a tributação do crédito presumido de ICMS, teria sido superado pelas alterações legislativas, não vinculando a Administração Fazendária em casos de não cumprimento dos requisitos legais para a exclusão.
O voto vencedor, designado ao Conselheiro Maurício Novaes Ferreira, adotou uma interpretação que diferencia o tratamento do crédito presumido de ICMS de outros benefícios fiscais. O colegiado concluiu que o entendimento do ERESP nº 1.517.492/PR do STJ, embora não proferido sob o rito dos recursos repetitivos, deve ser aplicado especificamente aos créditos presumidos de ICMS. Este precedente afasta a incidência de IRPJ e CSLL sobre tais valores, independentemente da observância dos requisitos do artigo 30 da Lei nº 12.973, de 2014, e da Lei Complementar nº 160, de 2017. A decisão destacou que os recursos repetitivos do STJ (REsp nº 1.945.110/RS e REsp nº 1.987.158/SC, que deram origem ao Tema 1.182), ao tratar de outros benefícios fiscais de ICMS – como redução de base de cálculo, alíquota, isenção ou diferimento – por exclusão, referendaram a aplicação do ERESP nº 1.517.492/PR nos casos de crédito presumido, reconhecendo a peculiaridade deste último em relação ao chamado “efeito de recuperação” no sistema de não cumulatividade do ICMS.
O Conselheiro relator original, José André Wanderley Dantas de Oliveira, proferiu voto vencido quanto a este ponto, defendendo a manutenção da exigência na integralidade. Ele argumentou que a Lei Complementar nº 160, de 2017, e o Tema 1.182 do STJ, ao considerar os incentivos de ICMS como subvenções para investimento (conforme o artigo 30, § 4º, da Lei nº 12.973, de 2014), reafirmariam a necessidade de cumprimento dos requisitos para que a exclusão fosse permitida, mesmo para créditos presumidos. Contudo, prevaleceu a tese que afasta a incidência dos tributos federais sobre o crédito presumido de ICMS. O acórdão, no entanto, também tratou de outras infrações capituladas no auto de infração, como a apuração do lucro da exploração e a aplicação de multas.
Em relação ao lucro da exploração incentivado, a fiscalização havia apontado que a empresa, que possui estabelecimentos beneficiados por redução de IRPJ na área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e da Amazônia (SUDAM) sob a Medida Provisória nº 2.199-14, de 2001, não mantinha registros contábeis específicos para segregar custos, receitas e resultados de atividades incentivadas e não incentivadas. Foi constatada a inclusão de receitas de revenda de produtos produzidos fora das áreas incentivadas como se fossem beneficiadas, desconsiderando as exigências da Instrução Normativa SRF nº 267, de 2002, e do Decreto nº 9.580, de 2018 (Regulamento do Imposto de Renda). Diante da ausência de contabilidade que permitisse a apuração por atividade, o CARF manteve o entendimento da fiscalização de que o lucro da exploração deveria ser determinado com base na proporção da receita líquida da atividade incentivada sobre a receita líquida total da pessoa jurídica. Também foram consideradas procedentes as observações fiscais sobre a falta de contabilização adequada de despesas de royalties e a ausência de identificação de beneficiários de outras remunerações variáveis e passagens aéreas internacionais.
A exigência da multa isolada, aplicada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, foi mantida pelo CARF por voto de qualidade. A decisão se fundamentou no artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, e na Súmula CARF nº 178, que estabelece que a inexistência de tributo apurado ao final do ano-calendário não impede a aplicação da multa isolada. A Instrução Normativa RFB nº 1.700, de 2017, que prevê a cobrança concomitante da multa isolada e da multa de ofício, também foi citada, reforçando que as penalidades decorrem de infrações distintas. Houve, ainda, uma correção de ofício nos juros de mora aplicados aos tributos referentes ao ano-calendário de 2020, ajustando o período de cálculo. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício foi mantida, conforme o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, e as Súmulas CARF nº 108 e 4, que validam a aplicação de juros Selic sobre a multa. Por fim, o colegiado reafirmou que os créditos pleiteados em Declarações de Compensação (PER/DCOMP) não podem ser aproveitados no lançamento de ofício, pois são objeto de procedimento próprio.
Em suma, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais confirmou as exigências fiscais relativas à apuração do lucro da exploração incentivado devido a deficiências contábeis e à multa isolada, mas reverteu a tributação sobre os créditos presumidos de ICMS, alinhando-se à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que reconhece a natureza específica desses benefícios estaduais e a proteção do pacto federativo.
Referência: Acórdão CARF nº 1202-002.324
1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA
Data da publicação do acórdão: 11/03/2026
Notícias Técnicas
Publicado a Versão 12.1.3 do Programa da ECF válida para o ano-calendário 2025, situações especiais de 2026 e para os anos anteriores
Gestores de acesso nas EFPC devem definir os papéis dos usuários
A Receita Federal publicou a IN RFB nº 2.324/2026, que exige registro prévio para empresas exportadoras adquirirem ou importarem insumos com suspensão do IPI
A Receita Federal publicou a Solução de Consulta nº 4.015/2026, que trata da inclusão de subvenções e incentivos de ICMS na base do IRPJ e da CSLL
Especialistas alertam para 'apuração assistida' e a nova dinâmica do XML da NF-e
Proposta da equipe econômica detalha alternativas de tributação e é etapa necessária para início da cobrança do IS a partir de 2027
Medida provisória altera regras do crédito consignado, reduz margem ao longo dos anos e muda prazos para aposentados e pensionistas
Norma publicada no Diário Oficial impõe novas exigências de cadastro, endurece penalidades e permite quitação de valores retroativos aos pescadores
A COSIT da Receita Federal, por meio da Solução de Consulta nº 74/2026, emitiu parecer parcialmente favorável sobre retenções de CSP e IRRF em contrato de PPP de iluminação pública
Notícias Empresariais
Tudo começa com o que você decide acreditar sobre si mesmo antes de qualquer estratégia
A maternidade costuma ser narrada como obstáculo na trajetória profissional feminina. E, de fato, ela impõe desafios reais, sobrecarga e limites concretos
Líderes que vivem sob estresse, excesso de demandas e decisões constantes precisam desenvolver pausas conscientes, escrita estratégica e autoliderança para amadurecer sua forma de pensar, agir e conduzir pessoas
O Pix consolidou-se como o principal meio de pagamento do Brasil em poucos anos e agora entra em uma nova etapa de evolução
Em um mercado pressionado pela falta de profissionais qualificados, empresas ampliam modelos híbridos e autonomia
Como a inteligência artificial, através de assistentes virtuais como a Ada, otimiza a comunicação e a produtividade em ambientes corporativos
A linha tênue entre a ferramenta financeira e a dependência operacional no varejo
Levantamento conclui que políticas sociais estimulam autonomia
Que tipo de empresa estamos nos tornando enquanto decidimos tão cuidadosamente?
Existe uma forma silenciosa de desrespeito que as empresas praticam todos os dias e chamam de cuidado. É o eufemismo no lugar da verdade
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade
