Saiba como autorizar o acesso à sua declaração do Imposto de Renda 2026 para contadores e familiares, sem compartilhar sua senha Gov.br
Notícia
Caixa ou competência? Como o regime contábil impacta o resultado dos FIIs
Especialistas explicam como cada regime contábil impacta resultados e pode gerar interpretações equivocadas para o cotista
01/01/1970 00:00:00
A contabilidade dos Fundos Imobiliários (FIIs) pode adotar dois regimes distintos para o reconhecimento de receitas e despesas: o de caixa e o de competência. Embora ambos sejam aplicáveis ao mercado como um todo, no universo dos FIIs eles impactam diretamente a forma como os resultados são apresentados e, consequentemente, como os rendimentos são distribuídos aos cotistas.
De acordo com os analistas Fausto Menezes e Larissa Nappo, do Itaú BBA, “a principal diferença está no momento em que receitas e despesas são reconhecidas. No regime de competência, os lançamentos contábeis são registrados quando ocorre o fato gerador, independentemente de movimentação financeira. Já no regime de caixa, o reconhecimento ocorre apenas quando há entrada ou saída efetiva de recursos”.
O professor de finanças Cristiano Corrêa, do Ibmec-SP, enfatiza essa lógica. “No regime de caixa estamos falando de tudo aquilo que entrou e saiu do caixa, de fato. Já o de competência leva em consideração tudo aquilo que aconteceu, mesmo que ainda não tenha transitado pelo caixa, como um contas a receber”, explica.
A diferença não é apenas conceitual, mas prática. No regime de competência, um aluguel a receber pode ser registrado como receita do mês, mesmo que o pagamento ainda não tenha ocorrido. Já no caixa, o registro só acontece quando o dinheiro efetivamente entra. Essa distinção influencia tanto a percepção dos investidores quanto a previsibilidade dos rendimentos.
“É por isso que, no regime de competência, pode haver distribuição de lucros ainda não realizados, o que exige ajustes futuros em caso de inadimplência. Já no regime de caixa, os resultados tendem a ser mais estáveis, mas podem variar conforme o fluxo de amortizações”, comentam os analistas do Itaú BBA.
Corrêa exemplifica: “Pelo regime de competência, posso ter um lucro contábil de R$ 20 milhões, mas apenas R$ 8 milhões efetivamente entraram em caixa. O restante ainda depende de pagamentos futuros. Ou seja, você pode estar distribuindo algo que ainda não aconteceu”.
Existe algum efeito nos dividendos?
A situação motivou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a publicar, em novembro de 2024, um ofício circular reforçando que a distribuição dos FIIs deve ser baseada em 95% em resultado do lucro caixa.
A resolução da CVM deixou claro que os fundos precisam distribuir, no mínimo, 95% do lucro caixa apurado semestralmente. Isso significa que a conta deve considerar o resultado efetivo acumulado no período, descontado o que já foi pago aos cotistas anteriormente, de modo que a distribuição reflita entradas e saídas reais de recursos.
Outro ponto importante é que o gestor precisa definir se o fundo seguirá o regime de caixa ou de competência e manter essa escolha de forma consistente. “Antes, era comum os administradores alternarem entre os regimes, dependendo do cenário. Agora não pode mais: a decisão deve ser definitiva, sempre respeitando a trava dos 95% do caixa”, destaca Corrêa. Essa regra reduz a margem para distribuições artificiais e aumenta a previsibilidade para o investidor.
No fim, não existe modelo ideal. Como sintetizam Menezes e Nappo, “o mais relevante é a capacidade da gestora em administrar o fluxo de caixa com eficiência e transparência”.
Riscos de interpretação para o investidor
Para o investidor, compreender o regime contábil adotado pelo fundo é fundamental. Caso contrário, há risco de interpretação equivocada dos resultados.
“Um recebimento pontual elevado pode levar o investidor a interpretar que aquele rendimento será recorrente, o que nem sempre é verdade”, alertam os analistas do Itaú BBA.
Corrêa complementa: “O cuidado está em entender se o lucro apresentado é contábil ou caixa, e em avaliar sempre os fundamentos do fundo, como qualidade dos imóveis e carteira de recebíveis”.
Notícias Técnicas
Chegou a hora de encarar o Leão! E a IOB preparou um material completo e detalhado para você tirar todas as dúvidas sobre a DIRPF
Aplicativo da Receita Federal permite preencher e enviar a declaração do imposto de renda diretamente pelo smartphone, com acesso a serviços fiscais e dados da declaração pré-preenchida
Com a novidade, os contribuintes já podem baixar o PGD IRPF e iniciar o preenchimento da declaração com antecedência, garantindo mais comodidade e facilitando a organização da documentação
Entendimento trata do uso de percentuais menores no lucro presumido para IRPJ e CSLL por empresas de serviços hospitalares e de apoio diagnóstico
Setor bancário enfrenta maior desafio operacional da história com nova dinâmica tributária
A Receita Federal publicou nesta 5ª feira (19.mar.2026), a Instrução Normativa RFB nº 2.314
o CARF decidiu dar provimento ao Recurso Voluntário de uma operadora de seguros, afastando a tributação de PIS e COFINS sobre as receitas financeiras decorrentes da aplicação de suas reservas técnicas
Especialista esclarece quem tem direito ao adicional de periculosidade, como funciona o pagamento e quais responsabilidades legais cabem às empresas
A previsão de tributação de 10 por cento de IRRF sobre lucros distribuídos acima de R$ 50 mil em um único mês tem colocado em alerta profissionais que atuam como pessoa jurídica
Notícias Empresariais
O erro mais comum é acreditar que crescer depende de aumentar o volume de trabalho. Na prática, o diferencial está em escolher melhor onde investir energia
Você tem planejamento, tem OKR, tem time. O que falta é o método respondendo à pergunta certa
Saiba quais são os principais anseios dos trabalhadores no Brasil e por que o RH precisa agir além do salário para reter talentos
Em um mercado que muda em ritmo acelerado, desenvolvimento contínuo, reskilling e competências humanas passam a definir a relevância profissional
As empresas brasileiras enfrentam um fenômeno silencioso, porém crescente: a infantilização das relações profissionais
A necessidade de organização e disciplina para a sustentabilidade empresarial
A entrada em vigor da nova regulação abre caminhos para o financiamento de pequenas e médias empresas
Entender para que o dinheiro será usado ajuda a equilibrar liquidez e potencial de retorno, segundo especialista
Prazo de entrega, experiência de compra, reputação da marca, conveniência e o próprio contexto de consumo passaram a ter um peso cada vez maior
Até agora, órgão devolveu R$ 2,96 bilhões a 4,3 milhões de segurados
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade
