Caso o contribuinte perceba informações incorretas após o envio da declaração, é possível fazer a correção por meio da declaração retificadora
Notícia
'Aumento de impostos incentivará manobras e não aumentará receita'
Para ex-secretário da Receita Federal, crise vai piorar se governo não rever despesas obrigatórias e aceitar coisas simples, como o fim da exclusividade da Petrobras no pré-sal
01/01/1970 00:00:00
A estratégia do governo de aumentar tributos para enfrentar a crise econômica não resultará na elevação da arrecadação. Ao contrário, irá estimular “manobras” e “planejamento fiscal” para se escapar da nova tributação.
É o próximo cenário da crise econômica do Brasil, traçado, em entrevista ao DCI, pelo consultor Everardo Maciel, ex-secretário da Receita Federal durante os governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
“Acho que tudo isso são coisas desnecessárias, que não resultarão em aumento de arrecadação efetiva e vão apenas estimular alguns vários tipos de manobras para evitar esse tipo de tributação”, afirma.
Assim, o especialista prevê o insucesso das medidas enviadas ao Congresso, a exemplo da elevação do Imposto de Renda sobre ganhos de capital (alienação de bens) e a recriação da CPMF, o imposto sobre movimentações financeiras.
Leia os principais trechos da entrevista realizada pelo DCI:
Em 2013, o senhor disse que o que está ruim poderia ficar pior. Ficou pior ou ainda há mais para se mergulhar no Brasil?
Não estou convencido de que chegamos ao fundo do poço. Especialmente porque, quando alguém quer sair do buraco, é preciso parar de cavar. O governo continua cavando. Não existe nenhuma iniciativa concreta e efetiva para reverter a crise fiscal. Não há reconhecimento de tudo o que foi feito de desastroso em matéria de política econômica. Coisas tão simples, como, por exemplo, a rediscussão da obrigatoriedade da participação da Petrobras na exploração do pré-sal, provoca uma discussão enorme porque sabemos que a Petrobras não tem mais condição de participar. Nessas discussões intermináveis e a incapacidade de gerir nossos problemas fez com que o pré-sal fosse jogado pela janela.
O governo disse que foi pego de surpresa e foi atingido pela crise econômica internacional. O senhor concorda?
Até a torcida do Flamengo conhecia a crise. No Brasil foi o contrário, com a teoria da marolinha. Essa crise foi perfeitamente previsível, não em 2007, mas tudo que veio de 2007 para cá era previsível.
Os que são contra a proposta do senador José Serra (PSDB-SP) alegam que, nesse momento, a crise é geral e acontece em todas as petrolíferas. Eles dizem ainda que entregar o pré-sal a eles seria o mesmo que entregar o ouro ao bandido. Tem procedência esse argumento?
Esse pessoal deve ter algum tipo de inteligência muito especial para concluir isso. A Petrobras está com dificuldades financeiras enormes e, portanto, não tem condição de participar. Logo essa obrigação de participar resulta num problema insolúvel. Ela não pode participar. Sem ter esse que seria um ativo da Petrobras, teria que fazer com que houvesse a possibilidade de exploração e não o contrário.
O senhor acha que a Operação Lava Jato e todos esses desdobramentos contribuíram para a crise?
Não. Não se pode dizer nunca que uma operação que envolveu o Ministério Público, a polícia e o Judiciário e que busca restabelecer o mínimo de moralidade no país possa ser responsável por qualquer tipo de crise. Então, ao contrário, ainda que tudo isso seja doloroso e indesejado é verdadeiro. Representa uma perspectiva de que possa haver uma melhorar nesse quadro no futuro.
Essa recriação da CPMF, que foi uma medida adotada pelo governo do qual o senhor participou, é uma boa solução para o País?
É preciso distinguir. No governo FHC, a criação da CPMF era para aumentar a despesa, uma fonte adicional de financiamento à saúde. Hoje, a CPMF é para cobrir buraco. Aceitar a CPMF significa admitir que não existe nenhuma possibilidade efetiva de cortar gastos públicos e fazer uma verdadeira reforma fiscal. Portanto, significa assumir uma posição de conformismo em relação à inflexibilidade do gasto público.
São questões que têm grande dificuldade política, mas da mesma forma também tem dificuldade política qualquer pretensão de aumento de impostos.
Se a pessoa aceita discutir CPMF é porque admite previamente que não há como tratar do gasto público. Falando em despesas obrigatórias, a obrigatoriedade foi estabelecida por norma constitucional. Então, que tal discutirmos a obrigatoriedade? A indexação de várias despesas não decorreu de nenhuma causa pétrea [dispositivos constitucionais que não podem ser alterados]. A indexação de várias despesas, da Previdência Social, por exemplo, representa quase a metade dos gastos públicos. Se tem indexação, por que não discutir a indexação especificamente?
Essa é a maior crise econômica que o País enfrenta?
Que eu me lembre, sim. Envolve não só a crise fiscal, que está na base de tudo, mas combina inflação, juros alto, recessão da atividade e desemprego.
Podemos virar uma Grécia?
Não. As condições da Grécia são muito distintas das atuais condições brasileiras. Não creio que a nossa situação vai se transformar na Grécia, mas que se faz um esforço imenso para que vire uma Grécia é indiscutível.
E esses outros aumentos de impostos que o governo federal trabalhou como o Imposto de Renda (IR) do ganho de capital?
Acho que tudo isso são coisas desnecessárias, que não resultará em aumento de arrecadação efetiva, e vai apenas estimular alguns vários tipos de manobras para evitar esse tipo de tributação. A tributação sobre ganho de capital no mundo, praticamente no mundo inteiro, é de 15%. Qualquer coisa diferente disso e uma invenção que não resultará em nada.
O PT defende o Imposto sobre Grandes fortunas, previsto na Constituição e que nunca saiu do papel. Qual sua opinião?
Isso é uma bobagem. Essa fortuna, riqueza, já foi tributada pelo Imposto de Renda. Já foi tributada pelos impostos patrimoniais e vamos, agora, tributar pela terceira vez?
O deputado petista Paulo Teixeira (SP) diz que o governo pretende abandonar a ideia do Imposto sobre Grandes Fortunas e tributar as heranças. O que o senhor pensa sobre essas taxações?
O imposto causa mortis é de competência estadual, a alíquota máxima é de 8% e quase nenhum estado usa essa taxa. Você acha que nos Estados Unidos as pessoas pagam esse imposto? Eles continuam Pessoas Jurídicas e incluem na propriedade da Pessoa Jurídica. Essa taxa apenas estimula o planejamento fiscal, mais nada. Quando ela tem um valor razoável, é aceitável porque não vale a pena investir em planejamento fiscal. Agora, a partir de certo momento vale a pena fazer o planejamento.
O que o senhor acha da repatriação de recursos?
A ideia é correta, mas vai ser muito difícil fazer um projeto da repatriação pior do que aquele. Primeiro porque ele tem todos os erros do mundo. Cria um imposto de 15% sobre ganho de capital, por exemplo. O ganho de capital é um tributo que envolve transferência patrimonial. Ou seja, de A para B, de B para A. Questiono como tem ganho de capital da pessoa consigo mesmo.
Segundo, é um imposto novo. Um imposto novo só é admitido pela Constituição com lei complementar e com regras muito específicas. Esse é um imposto novo, criado com base de cálculo passada, isto é, retroativa.
Notícias Técnicas
Microempreendedor precisa separar lucro, parcela isenta e rendimentos tributáveis para verificar se ultrapassou o limite de R$ 35.584 em 2025
Cidadãos que se encaixam nos critérios de declaração do Imposto de Renda e possuem gastos com educação, sejam próprios ou de dependentes, precisam informar tais despesas
Ofícios da Fenacon ao Fisco mostram divergências nos rendimentos, além de pedirem orientação sobre declaração de lucros
Novo código 1809 passa a ser utilizado para recolhimento via Darf no processo de adaptação do Brasil às normas internacionais contra a erosão da base tributária
A Receita Federal publicou a Nota Técnica 2025.002-RTC, que adia as validações da tributação monofásica
A Receita Federal publicou, a Nota Técnica nº 12/2026, que orienta como os contribuintes de PIS/Cofins devem registrar, na EFD-Contribuições
Receita Federal adia parte das regras de validação da NF-e e NFC-e ligadas à tributação monofásica da Reforma Tributária
Exigências da Receita Federal incluem comprovação de prejuízo e situação fiscal regular, o que pode limitar o acesso ao fundo e gerar disputas sobre valores e enquadramento
Pagamentos serão feitos em duas etapas até junho, conforme o final do benefício, com impacto direto na renda de aposentados e pensionistas
Notícias Empresariais
Receber feedback é, sim, uma soft skill. Mas a verdade é que muita gente ainda não está preparada para essa conversa
Empresas revisam controle de jornada, produtividade e políticas internas diante da consolidação do trabalho híbrido e da maior disputa por talentos no mercado
Veja como empresas e RH podem prevenir conflito de interesses com políticas claras, liderança ética, canais seguros e cultura organizacional mais transparente
Embora pareçam sinônimos, os termos possuem obrigações fiscais distintas que todo empreendedor deve conhecer
Se não retirado até o prazo estimado, o dinheiro só pode ser resgatado no ano seguinte
O caminho passa por eficiência operacional, cadeias de suprimento mais enxutas, uso de dados e IA para otimizar promoções e inovação
Mercados reagem a falas de Trump e aliviam tensões do conflito
São dois volumes com dicas de prevenção às fraudes
A transformação digital não é apenas uma questão tecnológica, mas uma mudança profunda na forma como as empresas operam
Pensar como estrategista é o que permite sair da execução e participar das decisões que realmente moldam resultados
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade
