Atrasar a entrega da declaração do Imposto de Renda é um erro comum, mas que gera custos imediatos com multa
Notícia
Juiz nega ação popular contra Carf
O magistrado também afirma que foi opção do legislador criar um contencioso administrativo fiscal.
01/01/1970 00:00:00
As empresas que têm processos favoráveis no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) - última instância para o contribuinte contestar autuações do Fisco - ganharam na Justiça o primeiro round de uma disputa que, desde a semana passada, tem movimentado escritórios de advocacia e governo. A 2ª Vara Federal do Distrito Federal, ao analisar uma ação popular que questiona o resultado de um julgamento do órgão, extinguiu o processo. Como essa, há outras 58 que pedem a suspensão de decisões favoráveis a companhias, algumas delas envolvendo cifras bilionárias.
No caso analisado, a advogada Fernanda Soratto Uliano Rangel, que propôs as ações populares, pedia a anulação do julgamento que livrou a holding Brookfield Brasil de multas isoladas pela ausência de recolhimento das estimativas mensais do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ). A decisão, que extinguiu a ação, foi publicada na quinta-feira, dia 7. Ainda cabe recurso.
Ela questionava a decisão do Carf por entender que o lançamento fiscal estava certo e que, portanto, a decisão administrativa estaria incorreta. O juiz federal substituto da 5ª Vara em auxílio na 2ª Vara, Paulo Ricardo de Souza Cruz, entendeu que, no caso concreto, há ainda um recurso da Fazenda Nacional pendente na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como não há decisão definitiva, isso já seria suficiente para extinguir a ação.
Ainda que fosse definitiva, o juiz afirma na decisão que a autora da ação "não aponta nenhum ato lesivo ao patrimônio público que teria sido praticado pelos conselheiros indicados" e que se limitou apenas a dizer que teriam sido decididos de forma incorreta.
O magistrado também afirma que foi opção do legislador criar um contencioso administrativo fiscal. "E no sistema criado pela lei, uma vez que haja uma decisão administrativa fiscal, o crédito fica extinto, pois a própria administração terá concluído pela improcedência do lançamento originalmente feito", diz. Segundo o juiz, todas as alterações ocorridas nesses órgãos administrativos vem sendo feitas por lei, com respaldo do Código Tributário Nacional (CTN). Por isso, só se admitiria uma discussão judicial por uma ação popular se houvesse " indícios de que a decisão teria sido tomada não por força da livre convicção dos julgadores, mas por suborno ou algo semelhante".
A lógica, de acordo com o juiz, seria a mesma adotada em decisão da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Por unanimidade, os ministros entenderam que o ministro da Fazenda não poderia cassar decisão do Conselho de Contribuintes (atual Carf) com o argumento de que o órgão decidiu incorretamente. Essa decisão foi publicada em outubro de 2003.
O juiz afirmou não desconhecer o que tem sido noticiado pela imprensa de que essas ações populares ajuizadas seriam "uma espécie de vendetta" pelo fato de o marido da advogada Fernanda Soratto Uliano Rangel, Renato Chagas Rangel, um dos advogados que patrocina a causa, ter sido demitido do cargo de procurador da Fazenda Nacional. O magistrado entendeu que não é necessário o exame da questão, pois indeferiu o pedido e, por isso, não seria cabível a condenação em honorários advocatícios "em hipótese de ter havido contestação e se concluísse pela má-fé da autora da ação".
Em 2010, o ex-procurador foi exonerado do cargo "pela prática de atos de improbidade administrativa e por valer-se do cargo para lograr proveito pessoal, em detrimento da dignidade da função pública", segundo texto da Portaria nº 67 da Advocacia-Geral da União (AGU). O advogado de Fernanda Soratto Uliano Rangel, José Renato Pereira Rangel, também da família, diz que o litígio envolvendo o ex-procurador e a administração pública ainda está em andamento e não tem nenhuma relação com as ações populares.
Rangel afirma ter realizado o levantamento de 200 decisões do Carf e que questionaram na Justiça 59 delas porque estariam em desacordo com entendimentos da Justiça. "Nesse caso julgado, o juiz não analisou o mérito dessa questão e devemos contestar", diz. Para ele, o tumulto criado em torno das ações tem o objetivo de desmoralizar seus clientes e desviar a atenção do Carf.
Para o advogado Mário Luiz de Oliveira da Costa, do Dias de Souza Advogados Associados, a decisão é muito bem-vinda. "Essa enxurrada de ações populares merece uma resposta do Poder Judiciário, como essa sentença", afirma. Segundo Costa, houve abuso no uso da ação popular porque não se pode recorrer ao Judiciário apenas por considerar as decisões incorretas. "Essa ação só pode ser usada para pedir a nulidade de atos administrativos se houver algum vício de procedimento." Costa assessora dois casos que sofreram contestação pelas ações populares.
Como o ajuizamento das ações populares causou uma grande repercussão a ponto de o Carf suspender os julgamentos da semana passada, a resposta imediata do Judiciário deve, segundo Costa, "apaziguar os ânimos e dar mais segurança aos conselheiros para que retomem as atividades". O advogado acredita que todas as ações deverão ser prontamente extintas como essa.
Para o procurador-geral da União, Paulo Kuhn, a decisão foi perfeita e está na mesma linha de manifestação da União nos processos. Ele afirma que a União vai se manifestar nas 59 ações no sentido de que essas decisões do Carf são legítimas e que não podem ser anuladas independentemente do mérito.
Notícias Técnicas
Autônomos e profissionais liberais devem observar critérios de obrigatoriedade, uso do Carnê-Leão e deduções permitidas para evitar erros no IRPF
Mesmo sem emprego, contribuinte pode ser obrigado a entregar o Imposto de Renda 2026 se se enquadrar nas regras da Receita Federal
Norma exige frustração da cobrança, ausência de negociação e autorização interna para acionar a Justiça
Com prazos definidos até 2032 e novas regras como o split payment, empresas precisam revisar contratos, escrituração e estratégias para não perder créditos
Os ajustes Sinief foram atualizados com novas regras que impactam diretamente a emissão de documentos fiscais eletrônicos
O impacto real das horas extras no seu negócio e como a contabilidade atua para evitar prejuízos ocultos
Mudança no envio de dados à Receita Federal impõe novos limites e exige revisão rigorosa nos cadastros de beneficiários
Mais de 35 milhões de beneficiários terão valores pagos em duas parcelas, seguindo o calendário oficial
O artigo apresenta as mudanças no anexo V da NR-16 sobre periculosidade para motociclistas e analisa impactos trabalhistas e custos para empresas
Notícias Empresariais
OKR na parede com caixa no limite não é má sorte. É sintoma de um método que registra atividade em vez de forçar escolha
Com o avanço do mercado pet no Brasil, empresas passam a incluir plano de saúde para cães e gatos como estratégia de bem-estar, engajamento e retenção de talentos
Levantamento da Workhub mostra como buscas silenciosas expõem questões sobre carreira, benefícios e rotina que nem sempre chegam à liderança
Como o monitoramento contínuo redefine o controle e a rastreabilidade de bens de alto valor
Investimento fora do país ganha atratividade como instrumento de diversificação e proteção do portfólio
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) mostra que, para 50% dos brasileiros, a economia piorou nos últimos 12 meses
Entenda, de forma prática, como funcionam os planos de previdência privada, qual escolher entre PGBL e VGBL e quais critérios realmente importam na decisão
O governo propôs uma meta de superávit primário de 0,50% do Produto Interno Bruto para 2027, equivalente a R$ 73,2 bilhões, informaram nesta quarta-feira
O marketing interno exige coragem para olhar para dentro, vulnerabilidade para compartilhar a verdade e sensibilidade para criar significado
O maior gargalo das empresas não está na estratégia, mas na forma como líderes transformam cultura, confiança e gestão de pessoas em execução e resultado sustentável
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade
