Antecipação na organização pode reduzir riscos de malha fina, evitar multa por atraso e aumentar as chances de restituição nos primeiros lotes
Notícia
Projeto de repatriação ajuda os sonegadores, dizem fiscais
"Um pacote de benefícios para sonegador."
01/01/1970 00:00:00
"Um pacote de benefícios para sonegador." É assim que o presidente do Unafisco (que reúne os fiscais da Receita Federal), Pedro Delarue, define o Projeto de Lei nº 443/2008, de autoria do senador Delcídio Amaral (PT-MS). A proposta, que tramita no Congresso, permite anistia tributária aos brasileiros que tiverem recursos não-declarados no exterior e que decidam trazer este dinheiro de volta ao País. Entre as benesses oferecidas às pessoas jurídicas e físicas estão: remissão de multas e juros; alíquotas reduzidas sobre impostos devidos; extinção da punabilidade penal e ganhos com a conversão do câmbio.
"O mais impressionante do projeto é que ele representa um enorme incentivo à sonegação em detrimento ao contribuinte que cumpre com suas obrigações, porque quem não pagou, vai pagar agora menos", afirma Delarue. Com um agravante, acrescenta o presidente da entidade: "Se o dinheiro está lá fora e será repatriado, obrigatoriamente, ele foi lavado. Ou seja, já houve um crime, fora o de sonegação".
No projeto, entretanto, a chance de pagar menos tributo não fica restrita aos recursos não-declarados no exterior. De acordo com estudo técnico preparado pelo Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), se contribuinte incluir em sua declaração os bens que se encontram no País, haverá a incidência de uma alíquota de 8% sobre o recolhimento do Imposto de Renda (IR). Sobre os bens que estiverem fora do Brasil incidirá uma alíquota de 15%, que poderá ser reduzida a 8% caso sejam repatriados. O pagamento do IR é em parcela única e o contribuinte terá uma redução de 50% nas alíquotas, caso aplique pelo menos a metade do valor dos seus bens e direitos em cotas de fundos de investimentos em infraestrutura.
As vantagens que o PL dá para o contribuinte regularizar sua situação com o fisco, podem ser traduzidas para o governo como uma saída para seu caixa. Em tempo de crise, buscar entrada de recursos no País e direcioná-lo para o setor de infraestrutura parece um bom negócio. "O que vemos no projeto é um problema comum a todo tipo de remissão: em um primeiro momento tem-se um benefício, mas a longo prazo fica claro o prejuízo com as benesses oferecidas àqueles que não cumprem com as obrigações tributárias", diz Luiz Antônio Benedito, diretor de Estudos Técnicos do Unafisco. "Programas desse gênero geram aumento de arrecadação, mas em um tempo e espaço curto, as pessoas que entraram são excluídas, porque pagarem", completa.
Para Delarue, é inaceitável recorrer a crise como justificativa de repatriar bens e direitos no exterior e promover regularização fiscal das pessoas físicas contribuintes do imposto de renda que detenham, no exterior, bens e direitos não declarados ou que, estando no País, não foram declarados à Receita Federal do Brasil.
Não há como calcular o quanto de dinheiro o Brasil seria capaz de recuperar para seus cofres com esse projeto. Existem estimativas, mas segundo Delarue, esses números não passam de especulação. "Para saber o quanto essa medida poderia trazer de volta ao País, teríamos que saber o quanto foi mandado para fora e quanto desses sonegadores estariam dispostos a repatriar", explica. "Existem outras formas de trazer esse dinheiro aumentando a investigação e os tratados bilaterais de cooperação com outros países".
Além da proposta não prever a necessidade de comprovação da origem do dinheiro, o PLS 443/2008 também concede anistia penal para os contribuintes que optarem pela declaração e/ou repatriação. "Para o infrator essa medida é um bom negócio", diz Benedito. "O problema é o comichão político em ver a geração de benefícios instantâneos, e depois o reflexo fica para o próximo arrumar", afirma Benedito. O presidente do Unafisco aponta ainda um senso de 'oportunismo' no projeto. "Agora, por exemplo, as pessoas estão perdendo dinheiro fora do Brasil e há interesse de voltar para ganhar aqui, usufruindo dos juros".
Segundo detalha o estudo do Unafisco, "as instituições financeiras poderão atuar como agentes fiduciários dos contribuintes que optarem por declarar seus bens e direitos . O contribuinte tem a opção de internar estes recursos no Brasil por meio de instituições autorizadas a trabalhar com câmbio e, estando eles no Brasil, ainda poderá optar por mantê-los numa conta bancária em moeda estrangeira, já que o projeto dá competência para o Conselho Monetário Nacional normatizar a matéria", diz. "O capital repatriado poderá permanecer numa conta bancária em dólar, euro etc., à espera do melhor momento para a conversão em reais", acrescenta.
O texto original prevê a concessão dos benefícios para o ano-base 2008, exercício financeiro 2009 e a nova tabela do IR ainda não havia sido anunciada.
Notícias Técnicas
Divergências entre os dados declarados e as informações transmitidas pelas fontes pagadoras à Receita Federal continuam entre os principais gatilhos de retenção em malha fina
A medida visa auxiliar os contribuintes a apurar corretamente a base de cálculo e o imposto devido
Solução de Consulta Disit/SRRF07 nº 7024/2025 define requisitos para aplicação das alíquotas reduzidas de IRPJ e CSLL
A Receita Federal publicou, nesta 3ª feira (03.mar.2026), uma retificação para corrigir trechos da Portaria RFB nº 655
A RF publicou, nesta 2ª feira, a Solução de Consulta nº 7.021, esclarecendo que é reduzida a zero a alíquota de PIS/Pasep e Cofins sobre a venda de determinados produtos farmacêuticos
Decisões estratégicas sob incerteza regulatória: o desafio para as PMEs
Regra prevista na LC 227/2026 permitirá não cumulatividade plena a partir da transição do novo sistema tributário
A partir de 16/3 o suporte via e-mail será descontinuado. Objetivo é aumentar transparência, segurança e rastreabilidade ao processo
Exigir antecedentes criminais pode gerar passivo trabalhista e violar a dignidade do trabalhador
Notícias Empresariais
Carreiras que avançam de forma consistente entendem essa transição cedo. Elas ampliam escopo antes que a estagnação apareça
Decidir aceitar certo nível de risco calculado pode ser o que separa estabilidade confortável de expansão significativa
Dados recentes mostram que gestores sobrecarregados e centralizadores comprometem resultados, enquanto a delegação estratégica e a diversidade emergem como pilares da liderança moderna
Especialista alerta que empresas precisam reforçar neutralidade política, treinar lideranças e revisar processos internos para evitar riscos jurídicos
Proteger o consumidor é uma vantagem competitiva indispensável para a sobrevivência econômica das organizações
A pauta aparece conectada à estratégia de negócio, à avaliação de lideranças e à sustentabilidade dos resultados
Tema deixou de aparecer apenas como iniciativa de bem-estar e passou a ser incorporado a instrumento formal de gestão
Resultado foi publicado nesta terça-feira (3) pelo IBGE. O setor de Serviços, composto por mais de 13,5 milhões de pequenos negócios, permanece aquecido
Segundo Haddad, economia está em bom momento de atração de investimentos
Num mundo que valoriza o que pode ser exibido, talvez o verdadeiro diferencial esteja justamente no que não aparece
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade
