Contribuintes que fecharam o ajuste anual com saldo devedor podem dividir o valor em até oito vezes; especialistas explicam o impacto dos juros Selic
Notícia
O Brasil que premia credores e pune empreendedores
Juros elevados, crédito restrito e insegurança econômica ampliam as dificuldades de quem produz e investe no país
01/01/1970 00:00:00
Nos últimos anos, o Brasil registrou sucessivos recordes de recuperações judiciais, chegando a 2.466 solicitações em 2025, o maior valor da série histórica, iniciada em 2006. Nesse mesmo período, o saldo líquido de capital estrangeiro para o país foi expressivo, aumentando US$ 14 bilhões entre 2022 e 2025, segundo o Serasa. Todavia, o investidor estrangeiro não está entrando no Brasil para ser sócio dos negócios, mas, sim, para ser credor do governo, via títulos de dívida. No mesmo período, o saldo de títulos da dívida variou US$ 26 bilhões, o que revela o tipo de país que o Brasil se tornou: um lugar onde é mais lucrativo emprestar dinheiro ao governo do que investir nas empresas de empreendedores nacionais.
Com um juro real acima de 9% ao ano (taxa de juros nominal do período descontada a expectativa de inflação para os próximos 12 meses), o Brasil encerrou 2025 como o segundo país com a maior taxa entre as 40 maiores economias do mundo, segundo ranking da MoneYou e Lev Intelligence. Na prática, isso significa que um investidor consegue rentabilidade expressiva alocando capital em títulos de dívida brasileiros, sem precisar construir nada, contratar ninguém, navegar pela burocracia tributária ou assumir o risco operacional de gerir um negócio em um ambiente institucional pouco previsível.
Não se trata de atribuir má-fé a quem faz essa escolha, porque qualquer alocador de capital racional faz a conta e vai para onde o retorno ajustado ao risco é mais favorável. O problema é que o Brasil construiu, ao longo de décadas, um ambiente no qual essa conta raramente fecha a favor de quem quer produzir aqui dentro.
Empreender no Brasil significa operar com custo de capital entre os mais altos do mundo, dentro de uma estrutura tributária pesada e complexa, sob um arcabouço regulatório que muda com frequência suficiente para punir quem aposta no longo prazo. O resultado é que a taxa de retorno exigida para que um projeto produtivo faça sentido precisa ser muito alta para competir com o que a renda fixa já oferece sem risco, e poucos projetos sobrevivem a essa comparação.
O capital produtivo, aquele cujo objetivo é construir fábricas, desenvolver tecnologia e qualificar trabalhadores, vai para lugares onde o custo de oportunidade de empreender é menor e o ambiente institucional é mais estável. O Brasil não compete nessa categoria com a mesma atratividade que demonstra para o capital de credor, e a diferença não é pequena.
A recuperação judicial em alta é reflexo desse quadro. Analistas apontam que a taxa de juros elevada e um crédito mais seletivo são os principais fatores que asfixiam o caixa das empresas, e os dados confirmam esse diagnóstico: o volume de empresas que faliram após entrar em recuperação judicial atingiu nível recorde no segundo trimestre de 2025, chegando a 30%, contra uma média histórica que ficava próxima de 10%. Em outras palavras, a recuperação judicial está sendo mais acionada e funcionando menos, o que diz muito sobre a profundidade do problema.
O Brasil debate com intensidade a distribuição da riqueza, mas produz sistematicamente um ambiente que direciona para fora boa parte da remuneração do capital aqui aplicado. Quando emprestar é estruturalmente mais rentável do que empreender, e quando o credor é majoritariamente estrangeiro, o país está não apenas alocando mal seus recursos, mas também transferindo para fora a renda que deveria financiar o próximo ciclo de investimento interno.
O que o Brasil precisa aprender é a valorizar o seu empreendedor. Enquanto isso não mudar, o ciclo se perpetua. O governo já cobra caro demais de quem produz e ainda não consegue equilibrar suas contas, e, para financiar o próprio desequilíbrio, oferece juros que drenam para si o capital que poderia salvar exatamente as empresas que ele mesmo está sufocando. No fim, quem paga a conta é sempre o mesmo: o brasileiro que escolheu arriscar e construir.
Notícias Técnicas
Atualização altera termos utilizados nos itens 18 e 20 da norma contábil aplicada à Demonstração dos Fluxos de Caixa
Empresas do Simples Nacional vem se questionando sobre pontos não esclarecidos pela Receita Federal, mesmo após a publicação da Resolução CGSN nº 186 pelo Comitê Gestor do regime
Com a reforma tributária do consumo em andamento, o prazo para adequação dos sistemas de emissão de notas fiscais ao IBS termina em 31 de julho de 2026
A Receita Federal, na SC Cosit nº 68 de 2026, entendeu que o deságio na cessão de créditos de ICMS representa receita da pessoa jurídica cessionária
Tecnologia é indispensável para MEIs que emitem nota fiscal eletrônica ou possuem funcionários
Prazo para empresas confirmarem ou recusarem notas fiscais cai pela metade a partir de 1º de junho
Atualização será feita de forma gradual e promete ambiente mais moderno, alinhado ao padrão visual do Governo Federal
Mudança na norma que obriga companhias a mapear riscos psicossociais acelera adoção de canais independentes de escuta e mediação
Decisão unânime da Corte é referente a interpretação da CLT
Notícias Empresariais
Durante décadas, a liderança foi baseada na experiência. O chamado 'feeling' sempre teve papel relevante na tomada de decisão, especialmente em questões envolvendo pessoas
Enquanto empresas investem em clima organizacional, treinamentos e programas internos, surge uma pergunta entre lideranças e RHs: por que os colaboradores continuam desengajados?
Entre Neymar, álbum de figurinhas e Seleção Brasileira, existe uma lição de Governança, Riscos e Compliance
Previdência corporativa e seguro de vida em grupo ganham espaço como soluções para reduzir perdas de produtividade e melhorar a retenção nas empresas
Nova ferramenta permite conseguir empréstimos usando transferências futuras como garantia, sem a necessidade de empenhar bens ou patrimônio
Juros elevados, crédito restrito e insegurança econômica ampliam as dificuldades de quem produz e investe no país
Com planejamento, é possível equilibrar o orçamento, evitar dívidas e criar espaço para realizar metas de curto e longo prazo
Mercado reage a alta da inflação e a incertezas no Oriente Médio
Quando decisões são construídas coletivamente a partir de entendimentos profundos, elas não apenas funcionam melhor. Elas resistem ao tempo, às pressões internas e às mudanças de contexto
Você já esteve em uma reunião em que preferiu não dar sua opinião de imediato? Provavelmente agiu bem, mas pode ter sentido desconforto
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade
