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Notícia
BC destoa do Fed, ignora inflação em queda e mantém juros
Em comunicado, BC ameaça retomar ciclo de alta dos juros, ignorando análises do mercado financeiro de que inflação está em queda
01/01/1970 00:00:00
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa de juros Selic em 15% ao ano. Em seu comunicado após a reunião, os diretores do BC, Gabriel Galípolo à frente, disseram que o Comitê “avalia que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Em seguida, enfatizam que o Comitê “seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”.
No comunicado, o BC informa ainda que “s expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,4% e 4,2%, respectivamente”. O Banco Central, porém, ignorou que a meta (3% em 2025 e 2026) admite um intervalo de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, entre 1,5% e 4,5%. Portanto, as expectativas do próprio mercado financeiro apontam para uma inflação dentro do intervalo da meta.
O corte dos juros pelo Comitê do Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,5% e 3,75%, torna ainda mais indefensável a posição do BC brasileiro.
Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, explica que o Fed atribuiu a decisão aos sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho em setembro e atividade desacelerando, apesar da relativa invisibilidade dos dados relativos a outubro, devido ao período de shutdown (paralisação por falta de orçamento) do governo estadunidense.
O corte também ocorre apensar de a inflação dos EUA seguir longe da meta. Além de diminuir a taxa de juros, o Fed anunciou a compra de Treasury Bills de curto prazo a partir desta quinta-feira, em outra medida de estímulo à economia que era menos antecipada pelo mercado.
No Brasil, o crescimento do emprego e a economia também mostram sinais de desaceleração. Por outro lado, a inflação caiu abaixo do teto da meta (4,5%) perseguida pelo BC. Sara Paixão, analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, destaca que o IPCA de novembro surpreendeu positivamente ao registrar alta de 0,18%, abaixo da projeção de 0,20%.
“Apesar do índice cheio mais benigno, a abertura mostrou um avanço na difusão, o que indica que a alta de preços atingiu uma parcela maior dos itens da cesta”, ressalta Paixão. O núcleo da inflação avançou 0,23% no mês, ligeiramente acima da estimativa dos economistas, que era de 0,21%.
“O cenário da inflação brasileira continua caminhando para encerrar 2025 em um patamar mais favorável e, segundo as estimativas, dentro do intervalo da meta do Banco Central. A desaceleração recente tem sido favorecida principalmente pela queda das commodities alimentícias, explica a analista.
Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, registra que o IPCA de novembro registrou alta de 0,18%, acelerando em relação aos 0,09% observados em outubro, mas permanecendo dentro de um quadro benigno de inflação. No acumulado em 12 meses, o índice passou de 4,68% para 4,46%, “movimento influenciado tanto pela base mais elevada de dezembro de 2024 quanto pela continuidade da desinflação em grupos importantes”.
“A composição do índice reforçou uma leitura qualitativa favorável. A inflação de serviços permaneceu controlada, com exceção do item hospedagem, que subiu de forma atípica por conta da realização da COP 30 em Belém, um choque temporário, sem implicações estruturais para a trajetória prospectiva”, explica a economista.
Ela vê a difusão em patamar moderado, mesmo com a alta de 52% para 56% no mês, indicando que as pressões permanecem concentradas em poucos itens e não sugerem uma disseminação mais ampla da inflação.
“Mantemos leitura construtiva para o curto prazo, projetando alta de 0,46% para o IPCA de dezembro e revisando nossa estimativa de fechamento de 2025 para 4,40%, refletindo a surpresa baixista nos núcleos, a continuidade da deflação de alimentos no domicílio, o comportamento benigno dos bens industriais e a perda de força dos serviços subjacentes, fatores que sustentam a convergência gradual e consistente da inflação ao longo do ano”, finaliza Ariane Benedito.
Presente da Natal aos especuladores
“Ao manter a Taxa Básica de Juros (Taxa Selic) em 15% ao ano, o Copom (Comitê de Política Econômica do Banco Central) demonstra que continua se curvando aos especuladores, que ganharam um presentão de Natal”, atacou a Força Sindical.
“Infelizmente, estamos vivendo a era dos juros extorsivos. A taxa básica de juros atual está estrangulando a economia e o consumo e prejudicando as campanhas salariais do segundo semestre de 2025. Precisamos urgentemente de redução de juros para a atividade econômica se manter. Continuar com a atual taxa de juros impõe um forte obstáculo ao desenvolvimento do País”, prossegue a nota da central sindical.
“Mesmo com as mudanças no Copom, os seus membros continuam, infelizmente, se curvando aos especuladores e virando as costas para a classe trabalhadora. Vamos continuar protestando contra os juros extorsivos, que vão na contramão do desenvolvimento do País.”
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