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Notícia
Quiet firing: a estratégia silenciosa que cresce nas empresas e seus riscos
Ao adotar o quiet firing, empresas correm o risco de perder talentos valiosos junto com os que realmente desejavam desligar
01/01/1970 00:00:00
À medida que mais companhias reforçam regras de retorno ao escritório (RTO), cresce a suspeita de que parte dessas exigências serve para provocar a saída de funcionários que preferem o trabalho remoto ou híbrido. Uma nova pesquisa indica que essa prática, conhecida como quiet firing, vai além do RTO e envolve outras táticas para reduzir o quadro de pessoal sem recorrer a demissões formais.
Segundo levantamento da ResumeTemplates com 1.128 líderes empresariais nos EUA, 42% admitiram ter usado estratégias de quiet firing neste ano, e outros 11% disseram planejar aplicá-las nos próximos meses. Entre os motivos, o principal é evitar custos com rescisões, indenizações e riscos legais — além de minimizar danos de imagem.
Táticas mais comuns
O estudo identificou as principais formas de empurrar profissionais para fora da empresa:
- Atrasar aumentos prometidos – citado por 47% dos participantes
- Endurecer regras de presença física – 46%
- Aumentar a carga de trabalho sem compensação – 45%
- Cortar salários ou benefícios – 32%
- Micromanagement ou exclusão deliberada de projetos
- Ignorar ambientes tóxicos para desgastar a permanência do alvo
Essas ações são aplicadas tanto a funcionários considerados de baixo desempenho (47%) quanto àqueles que resistem a novas regras de RTO (41%).
Pressões externas e motivações internas
Para muitos gestores, a medida responde a desafios econômicos: queda nas vendas (50%), aumento de custos com tarifas de importação (46%), expectativa de recessão (40%) e inflação salarial (40%). Apesar disso, 98% dos entrevistados reconheceram que a prática prejudica o moral da equipe — quase 40% afirmaram que o impacto é “considerável”.
Julia Toothacre, estrategista de carreira da ResumeTemplates, alerta que o quiet firing é um “atalho” de alto risco. Embora possa reduzir custos imediatos, danifica produtividade, confiança e reputação no longo prazo. E há outro efeito colateral: nem sempre os funcionários visados saem. Em 77% dos casos, os empregados optaram por ficar, muitas vezes por receio de não encontrar algo melhor no mercado atual.
Um jogo perigoso para o futuro
Ao adotar o quiet firing, empresas correm o risco de perder talentos valiosos junto com os que realmente desejavam desligar. Além disso, manter profissionais insatisfeitos pode criar ambientes de baixa motivação, afetando diretamente resultados e capacidade de atrair novos talentos.
Em um mercado cada vez mais atento a cultura e práticas de gestão, estratégias silenciosas de desligamento podem se transformar em um passivo — não apenas financeiro, mas de imagem e desempenho.
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