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Notícia
Pirâmide demográfica achata e vira obelisco: envelhecimento global traz desafios
Com maior número de idosos e as quedas de nascimentos, o que muda não é só o desenho demográfico, mas toda a economia mundial, diz estudo
01/01/1970 00:00:00
O envelhecimento da população associado às quedas da fertilidade na maior parte do mundo estão invertendo as estruturas etárias tradicionais. Com o surgimento de uma nova ordem populacional, de contrastes demográficos extraordinários, caem por terra as tradicionais pirâmides populacionais para surgir uma nova forma, mais parecida com um obelisco, bem mais achatada no piso.
No entanto, mais do que uma mudança no desenho dos gráficos, esse novo momento ela traz uma profunda alteração na dinâmica mundial, impondo desafios para economia e para toda a humanidade.
A primeira onda dessa mudança demográfica está atingindo economias mais desenvolvidas e até a própria China, onde a parcela de pessoas em idade produtiva cairá dos atuais 67% para 59% em 2050. Ondas posteriores atingirão até mesmo regiões mais jovens em uma ou duas gerações, como a América Latina e Ásia.

(Fonte: Mckinsey)
A única exceção é a África Subsaariana, como mostram os dados da pesquisa “Enfrentando as Consequências de Uma Nova Realidade Demográfica”, feito pela consultoria McKinsey.
A reformulação da estrutura etária das sociedades resulta em uma força de trabalho menor e em uma proporção crescente de idosos, que utilizam mais as estruturas previdenciárias e de saúde.
“Nosso sistema econômico enfrenta um ponto de virada: sem aumento expressivo da produtividade ou mais horas trabalhadas, o crescimento do PIB global per capita pode desacelerar em até 0,8% ao ano”, explica a sócia-diretora do escritório da McKinsey no Brasil, Heloisa Callegaro.
Leia também: Brasil não está preparado para envelhecimento da população; impacto vai da Previdência a preço de ativos
E no Brasil?
Essa preocupação também é relevante para o Brasil, uma vez que, entre 1997 e 2023, a demografia contribuiu positivamente para o PIB per capita, com um incremento de 0,4 pontos percentuais ao ano.
Entretanto, projeções indicam que, de 2023 a 2050, a transição demográfica poderá reduzir o PIB per capita em 0,3 pontos percentuais anuais, representando uma inversão preocupante. “É essencial que adotemos medidas para reverter essa tendência e assegurar um crescimento econômico sustentável.”
No caso do envelhecimento da população, o Brasil está envelhecendo mais rápido do que muitos imaginavam. Com uma taxa de fertilidade de 1,62 filhos por mulher, já estamos num patamar abaixo da chamada taxa de reposição, de 2,1 filhos. O País deverá atingir o pico populacional em algumas décadas e, até 2100, projeta-se uma redução de 22% em sua população atual, de acordo com o estudo.
“A redução da população em idade ativa está aumentando a pressão sobre a força de trabalho existente. O único caminho para manter o crescimento econômico será baseado em investimento em tecnologia e no aumento da produtividade”, afirma Heloisa, acrescentando que o Brasil terá apenas 16 anos até atingir o nível de envelhecimento das economias avançadas.
Desse modo, em 2050 o índice de suporte (trabalhadores por idoso) será equivalente ao das economias ricas hoje. Entretanto nossa produtividade ainda é considerada baixa, ficando em média em US$ 18 por hora por trabalhador enquanto a média nos países de economias maduras é de US$ 60.
Essa constatação traz de volta uma frase muito citada no passado recente, que dava conta que o Brasil iria ficar velho antes de ficar rico, ao contrários de grandes potências desenvolvidas.
Nos últimos 25 anos houve um ‘milagre’ produtivo em várias partes do mundo, com uma média global de produtividade multiplicando-se por seis. Mas o mesmo não ocorreu na América Latina, onde o avanço foi tímido, não alcançando os 20%, segundo relatório do McKinsey Global Institute.
“Além do aumento de produtividade, vamos precisar ampliar a participação da população no mercado produtivo, especialmente entre mulheres”, disse a diretora da McKinsey. A participação feminina na força de trabalho no Brasil chega a 66%, ficando abaixo da média dos países ricos, que é de 74%.
Pressão na Previdência
Com o esgotamento do chamado bônus demográfico, quando há mais pessoas para trabalhar do que aposentados, os desafios já são sentidos por toda a sociedade. A proporção de pessoas em idade ativa por idoso cairá de 6,5 para 2,8, elevando a pressão sobre famílias e a Previdência.
A expectativa de vida global aumentou em sete anos, em média, desde 1997, chegando a 73 anos em 2023 e deve chegar a 77 anos em 2050. Aqueles com 100 anos ou mais são a faixa etária de crescimento mais rápido em termos percentuais, de acordo com as Nações Unidas.
Esse aumento da longevidade pressiona como nunca os sistemas previdenciários devido, principalmente, à redução da proporção de trabalhadores na ativa em relação aos aposentados. Apesar de toda a atenção dada ao aumento da longevidade, o declínio da fertilidade determina de forma mais poderosa a demografia global.
Dessa forma, sem reformas significativas, esses sistemas podem se tornar insustentáveis. Hoje, o Brasil tem 6,5 trabalhadores por aposentado, número que já foi 13,1, em 1997. Em 2050, esse número cairá para apenas 2,8 trabalhadores por aposentado.
Sem o trabalhador jovem para financiar o idoso inativo, será preciso encontrar novas formas de refinanciar os sistemas previdenciário, na avaliação do professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Renan Pieri.
“Além disso, o estado precisará destinar mais recursos para a saúde, porque as pessoas que vivem mais precisam de cuidados. Mas acima de tudo, com menos jovens, será preciso investir mais e melhor em educação para que, com melhor formação, estes jovens sejam mais produtivos”, afirma o professor.
Herança difícil
Ao confrontar as consequências da mudança demográfica, as sociedades entram em águas desconhecidas. Na ausência de ação, os mais jovens herdarão menor crescimento econômico e arcarão com o custo de mais aposentados, enquanto o fluxo tradicional de riqueza entre gerações se corrói.
Práticas de trabalho de longa data devem mudar. Mas, fundamentalmente, os países precisarão aumentar as taxas de fertilidade para evitar o despovoamento, uma mudança social sem precedentes na história moderna.
Queda nas taxas de fertilidade
Famílias em todo o mundo estão tendo cada vez menos filhos. Em grande parte do mundo, as taxas de fertilidade caíram abaixo da taxa de reposição necessária para manter uma população estável, que é de 2,1 filhos por mulher. Apesar do aumento da longevidade, alguns países já começaram a ver o declínio populacional. Outros, podem seguir em um futuro não tão distante.
Essa queda desloca o equilíbrio demográfico para a escassez de jovens e prejuízos aos idosos, que dependem de uma população em idade ativa. Esse fenômeno começou a se manifestar em economias avançadas e na China. Em três quintos dos países, as mortes anuais já excedem os nascimentos.
O Japão é o único país desenvolvido na pesquisa da consultoria onde a expectativa de vida teve aproximadamente o mesmo impacto que a fertilidade. Esse padrão incomum foi devido a dois fatores. Primeiro, o Japão já tinha uma taxa de fertilidade muito baixa em 1960, de 1,98 filhos por mulher em comparação com os 2,7 no Reino Unido na mesma época. E a expectativa de vida aos 65 anos aumentou mais no Japão do que em outros países, ultrapassando a marca de nove anos a mais em comparação com seis anos registrados no Reino Unido.
Em economias emergentes, as taxas de fertilidade caíram ainda mais drasticamente de 1960 a 2023. Por exemplo, uma mulher tinha uma média de 6,1 bebês no Brasil em 1960, enquanto hoje ela tem 1,6 filhos.
Consumo
Com o envelhecimento da população, observa-se também uma mudança significativa nos padrões de consumo, segundo Heloisa. Isso porque, sendo a maior parcela da população, os idosos estão se tornando cada vez mais relevantes no mercado global, direcionando seus gastos para áreas como saúde, bem-estar e serviços que atendam às necessidades da longevidade.
“Estima-se que, até 2050, os mais velhos representarão um quarto do consumo mundial, o dobro do registrado em 1997”, afirma a executiva.
No Brasil, essa tendência também se manifesta. A McKinsey prevê um aumento na demanda por serviços de saúde, previdência privada e moradias adaptadas para a terceira idade. “Contudo, enfrentamos um desafio adicional: nossa renda per capita ainda não alcançou os níveis das economias avançadas, o que pode limitar a capacidade de consumo dos nossos idosos”.
Uma pesquisa recente da McKinsey sobre os padrões de consumo da população acima de 59 anos no Brasil apontou que esse público apresenta um padrão de compras prático e racional: 77% das prioridades dos chamados ‘baby boomers’ [os nascido entre 1946 e 1964] no momento das compras são financeiras.
Imigração
Os países ricos terão de aceitar imigrantes da nações mais pobres para conseguir mão de obra? Para a diretora da McKinsey a imigração é uma das estratégias que os países desenvolvidos poderão adotar para mitigar a escassez de mão de obra resultante do envelhecimento populacional. No entanto, isso requer políticas eficazes de integração para funcionar.
No Brasil, diferentemente das economias ricas, o país não depende de imigração para sustentar sua força de trabalho. Por outro lado, terá o desafio de reter talentos e evitar a fuga de cérebros, pois profissionais altamente qualificados podem buscar melhores oportunidades em mercados internacionais.
“Com tantas mudanças, será preciso rever os contratos sociais, que se desenvolveram ao longo de décadas de populações crescentes, mas que agora terão de mudar, porque esse cálculo não se sustenta mais”, afirma a sócia-diretora da McKinsey.
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