Ao tornar o acesso via conta gov.br obrigatório e regulamentar de forma mais rígida a chamada representação digital, o órgão reforça uma tendência clara: identidade digital precisa ser confiável
Notícia
Fazer negócio no Brasil está menos complicado, mas...
De 2022 para cá, país caiu da 1ª para 7ª posição no ranking das jurisdições mais complexas do mundo, diz estudo do TMF Group. A simplificação de processos é um fator positivo, já o sistema tributário joga contra
01/01/1970 00:00:00
Fazer negócios no Brasil ficou mais fácil, embora o cenário nacional ainda seja marcado por diversos obstáculos de regulamentação que dificultam acessibilidade e transitabilidade econômica. É o que conclui a 11ª edição do Global Business Complexity Index (GBCI), divulgado pelo TMF Group, especialista global em conformidade regulatória.
No topo do ranking dos piores países para se fazer negócio até 2022, o Brasil "caiu" para o terceiro lugar em 2023 e, atualmente, se encontra em sétimo no índice. Porém, de acordo com o relatório, isso se deve mais ao aumento da complexidade em outras jurisdições do que a grandes mudanças internas.
Mas houve alguns avanços, segundo Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Como a instituição da Lei da Liberdade Econômica, que passou a simplificar vários processos para as empresas.
Mesmo com esses avanços, "não muito expressivos, de acordo com o economista, a legislação tributária, caracterizada por variações locais (como a 'guerra fiscal' do ICMS), obrigações acessórias e a diversidade de legislações em diferentes níveis administrativos, foi apontada no estudo do TMF como um dos principais fatores de complexidade na economia brasileira.
"A 'matriz de criar dificuldades' continua: a área tributária ainda é um grande ponto de complexidade, e continuará sendo. Temos uma estrutura federativa que torna difícil a simplificação de qualquer texto de reforma, pelo fato de termos uma federação com três entes (União, Estados e municípios), e todos com autonomia tributária", diz Solimeo.
A escolha do regime tributário ideal e o planejamento das operações também são complexos pela necessidade de um profundo conhecimento local - especialmente considerando que os regimes trabalhistas e a força sindical variam significativamente no país, diz o estudo. Além disso, discussões sobre incentivos para reduzir os impostos trabalhistas e incentivar a contratação estão em reconsideração, causando incertezas para as empresas.
Há ainda preocupações internas sobre as reformas tributárias propostas na agenda do governo. Embora a reforma não deva ser radical, há receio de um possível aumento de impostos, em especial em Serviços e TI. Solimeo diz que a reforma tributária em tramitação no Congresso não convence quando trata da simplificar o sistema. "Basta considerar o período de transição de oito anos com a convivência entre os dois sistemas, mantendo os problemas dos impostos atuais combinados com o novo (IVA)."
Outro grande problema citado pelo economista da ACSP são setores governamentais que, isoladamente, acabam criando burocracia, como a portaria, ainda não vigente, que impede o comércio de abrir aos domingos. "É uma determinação do Ministério do Trabalho que submete o funcionamento do comércio a aprovação dos sindicatos. Ou seja: criou-se um empecilho a mais para uma situação que há décadas funcionava bem", diz Solimeo.
Ele cita outro exemplo de burocracia, a legislação da igualdade salarial, que, segundo o economista, exige demonstrativos totalmente complexos. "Não é só a dificuldade burocrática, é também a que pode gerar penalidades pela dificuldade de demonstração."
Apesar desses desafios, o Brasil tem procurado expandir seu comércio global, especialmente no setor agropecuário. Esforços para ingressar na OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), fortalecer relações comerciais internacionais e promover a integração regional através do Mercosul também estão em andamento.
Já a ação proativa do Banco Central do Brasil para controlar a inflação, de acordo com o estudo, sugere um cenário de maior previsibilidade econômica, com redução do custo de capital e das taxas de inflação.
_1.png)
Carolina Secches, diretora de gestão global de entidades da TMF no Brasil, reforça que o país sempre foi complexo, mas observa-se um movimento significativo em direção à simplificação nos últimos anos, e esforços têm sido feitos para fomentar o investimento estrangeiro, com avanços importantes na regulamentação cambial e nas políticas tributárias.
"Embora ainda haja desafios, o ambiente regulatório tem se tornado menos complexo, criando um cenário mais favorável e previsível para investidores estrangeiros. São mudanças cruciais para atrair capital e estimular o crescimento econômico sustentável no Brasil", afirma.
O índice dos países mais difíceis para fazer negócios, que abrange 79 jurisdições, que representam 93% do PIB global e 88% dos fluxos líquidos globais de investimento estrangeiro direto (FDI), avalia 292 indicadores, como tempo de incorporação, gerenciamento de folha de pagamento e benefícios, regulamentações, tributação e outros fatores de conformidade.
IMPACTOS NA GEOPOLÍTICA
Entre as jurisdições menos complexas para fazer negócios, Holanda, Dinamarca, Reino Unido e Hong Kong se mantêm firmemente no ranking "positivo." A novidade desta edição é a inclusão da Jamaica entre as mais favoráveis, avançando para a 71ª posição ante a 49ª em 2023.
Por outro lado, a Grécia lidera o índice de complexidade de 2024, enquanto a América Latina permanece como a região mais crítica, com várias de suas economias, como Colômbia, México, Brasil e Peru, classificadas entre os 10 países mais complexos para se fazer negócios.
O panorama econômico global atual, porém, é moldado por diversos fatores que se interligam, como mudanças regulatórias: muitas vezes rápidas e complexas, elas representam um desafio significativo para empresas que operam internacionalmente.
Já a instabilidade geopolítica, exemplificada pela guerra na Ucrânia e sanções impostas pelo conflito, provoca disrupções nas cadeias de suprimentos e no fluxo de investimentos. Nesse contexto, algumas economias em transição se beneficiam da neutralidade em questões globais, enquanto outras enfrentam dificuldades crescentes.
NA PRÁTICA
Para prosperar nesse ambiente desafiador, as empresas precisam se ajustar, e a tecnologia surge como uma "ferramenta poderosa" para impulsionar o crescimento, seja na produção, na expansão do mercado ou na melhoria da eficiência - como o uso da IA, conclui o estudo.
No entanto, garantir e manter talentos qualificados é fundamental para o sucesso, e em 78% das regiões ao redor do mundo, isso é uma dificuldade. Leis trabalhistas rígidas e a falta de profissionais qualificados são alguns dos obstáculos que precisam ser superados, destaca.
Para a diretora Carolina Secches, o cenário econômico global requer que as empresas sejam flexíveis e inovadoras para se adaptarem às mudanças constantes, e a tecnologia e a retenção de talentos são elementos cruciais para o sucesso.
É essencial equilibrá-los com as realidades regulatórias e geopolíticas de cada país. "No Brasil, desburocratização seria um fator principal, tanto do ponto de vista de tributos quanto de investimentos estrangeiros. Mas ainda há um longo caminho a percorrer nesse sentido.”
Marcel Solimeo, da ACSP, tem opinião semelhante: falta muito para melhorar. E a primeira atitude a ser tomada é estancar a burocracia para depois, na medida do possível, reduzir as dificuldades. "O país trabalha ao mesmo tempo nas duas direções: reduz dificuldades de um lado, mas cria de outro. Isso gera uma grande insegurança para o dia a dia dos negócios".
Notícias Técnicas
Criminosos enviam mensagens com links falsos e ameaças de bloqueio financeiro para induzir contribuintes ao erro
O Portal de Serviços da Receita Federal substituirá gradualmente o Portal e-CAC. A medida foi publicada por meio da Instrução Normativa RFB nº 2.320
A Solução de Consulta COSIT nº 46, aborda a possibilidade de apropriar créditos de PIS/Pasep e Cofins sobre a Tarifa de Utilização da Via (TUV)
A Cosit, por meio da Solução de Consulta nº 54, estabeleceu que valores recebidos a título de premiação, não integram a base de cálculo para a determinação dos tributos devidos
Varejo precisa se adaptar à nova regra que exige NF-e para vendas a pessoas jurídicas a partir de maio de 2026
Contribuinte deve analisar o auto de infração, reunir provas e observar o prazo legal para impugnação na esfera administrativa
Entenda o que entra na conta, a diferença para tempo de contribuição e quais cuidados são essenciais em aposentadoria, rescisão e benefícios
Mesmo com tecnologia, companhias ainda dependem de tarefas manuais
Nova NR-1 exige mapeamento de riscos psicossociais e impulsiona crescimento de soluções de bem-estar corporativo e serviços preventivos
Notícias Empresariais
Carreiras evoluem quando alguém decide não apenas preservar o que existe, mas expandir o que é possível
O primeiro dia útil da semana custa caro quando é improvisado e rende muito quando é planejado. Entenda por que a segunda-feira é o indicador mais honesto da cultura de uma empresa
Cresça ou desapareça é de autoria do executivo e consultor Denis Caldeira
A verdadeira liderança não se mede pela centralidade, mas pela capacidade de deixar de ser indispensável
Enquanto pagam faturas cada vez mais altas no cartão de crédito, muitos consumidores deixam passar a chance de transformar seus gastos do dia a dia em viagens, experiências e economia real
Levantamento da Serasa Experian mostra como diferentes gerações priorizam fatores distintos na escolha e permanência no emprego
Com juros elevados e crédito restrito, empresas que dominam fluxo de caixa, produtividade e estratégia comercial ganham vantagem competitiva e ampliam chances de crescimento
O efeito bumerangue das dívidas atinge quem já estava no vermelho ou havia acabado de limpar o nome, revelando a fragilidade do mercado de crédito no país
Crescimento profissional exige intenção. Não basta fazer mais. É preciso fazer melhor, com foco e direcionamento
Entre promessas vagas, currículos ignorados e networking de aparência, a velha lógica do quem indica continua viva mas cada vez mais seletiva, conveniente e desconfortavelmente hipócrita
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade
