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Notícia
Anitta no Nubank: a estratégia lacradora da fintech para se distanciar do tradicional
Ao lado de David Velez e Cris Junqueira, fundadores do Nubank, a cantora é a terceira mulher no Conselho de Administração da fintech e chega com a missão de atrair novos milhões de clientes latino-americanos
01/01/1970 00:00:00
Considerada um grande case de sucesso quando o assunto é gestão, a cantora Anitta se destacou ao longo dos últimos anos como um fenômeno na forma de trabalhar o planejamento de sua carreira.
Com mais de 54 milhões de seguidores no Instagram e 14 milhões no Twitter, Anitta viu sua fama repercutir além do cenário musical como uma das principais influenciadoras brasileiras. Em 2019, se tornou embaixadora da Ambev, e desde então, lança produtos anuais em nome da marca, como a Skol Beats 150 BPM e a Skol Zodiac, ocupando o posto de chefe de criatividade e inovação da Beats.
No início desta semana, a notícia de que passará a fazer parte do conselho de administração da Nubank, fintech brasileira, fortalece ainda mais a imagem corporativa de Anitta e a pegada inovadora do banco digital.
Apesar da novidade ter sido uma surpresa para o mercado, a atuação de famosas no processo de criação das marcas têm se tornado usual. Nomes como, Iza, Marina Ruy Barbosa e Taís Araújo passaram a ter voz dentro de empresas com as quais se associam.
Diferentemente do papel de influenciadoras que muitas assumem ao serem pagas para promover um produto em suas redes sociais, essas celebridades estão, de fato, ocupando cargos dentro dessas empresas.
Recentemente, Marina Ruy Barbosa foi nomeada pelo grupo Arezzo&Co (Alexandre Birman, Schutz, Arezzo, Anacapri) como diretora de moda de uma nova plataforma on-line da companhia. Manu Gavassi virou chefe de conteúdo da empresa de gim Tanqueray.
O mesmo movimento acontece no exterior. A cantora Lady Gaga se tornou diretora criativa da Polaroid, enquanto o cantor Will.I.Am, integrante do grupo Black Eye Peas, já ocupou cargos em marcas como, Intel e Coca-Cola.
Ao que parece, apesar de causar estranhamento no mundo corporativo, essas nomeações se legitimam aos olhos dos consumidores. Mas, qual é o verdadeiro motivo por trás disso tudo?
Com 40 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia, o Nubank foi avaliado em 30 bilhões de dólares em uma recente rodada de financiamento liderada pela Berkshire Hathaway, do acionista Warren Buffett.
Desde que foi criado, em 2013, o Nubank tenta se afastar dos modelos convencionais. Seja pela escolha do nome, logotipo, cores e propósitos, o banco estabelece uma série de rupturas com o mercado em que está inserido - e isso vai muito além de toda a tecnologia envolvida em suas operações.
A escolha do nome, por exemplo, já traz uma reflexão dessa proposta. A alusão da marca à palavra "Nu" é uma tentativa de colocá-lo numa condição acessível, simples, sem disfarce ou qualquer proteção, segundo a fintech.
Antes mesmo de mexer no status executivo da empresa, outras ações indicavam essa estratégia disruptiva da fintech. Em 2018, uma campanha publicitária questionava um dos símbolos dos bancos físicos tradicionais.
A ação exibiu uma porta giratória, na Pinacoteca, numa alusão ao item que até hoje tortura aqueles que têm a necessidade de entrar em uma agência bancária. A ideia da empresa era justamente evidenciar quão ultrapassado é o método, expondo-o como uma peça de museu.
Na época, a campanha marcava o lançamento do cartão de débito Nubank. Um post provocativo feito no Instagram na ocasião dizia: “O caminho está livre. Começamos a testar oficialmente a função débito. Agora você já pode deixar as agências bancárias no habitat natural delas: o passado. Por isso, transformamos a porta giratória em uma peça de museu de verdade. No dia 11/12 a porta ficou em exibição na Pinacoteca, mas você pode se despedir dela pra sempre na agência mais próxima”.
Ao anunciar a presença de Anitta no conselho da Nubank, David Vélez, CEO e fundador da empresa, citou que a cantora tem profundo conhecimento do comportamento dos consumidores nesses mercados que tem explorado e tem muita experiência em estratégias de marketing vencedoras. Além de acumular competências e experiências que nenhum outro conselheiro possui.
Para Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, Anitta está reinventando a cena cultural nos últimos anos e compartilha do mesmo DNA de inovação da fintech ao ter levado o funk brasileiro a outro patamar, criando uma marca mundial gigantesca numa analogia ao que o Nubank quer realizar no mercado bancário tradicional.
Com base nas atribuições e características citadas pelos executivos da fintech, Marcos Sardas, conselheiro de empresas e sócio diretor da Exxe Consultoria Empresarial, acredita que não há nenhuma restrição sobre a cantora assumir o cargo.
Com a popularização das redes sociais e na era do posicionamento, parece natural que as marcas sigam por essa linha de contratações numa tentativa de comungar inovação e identidade.
Embora considere essa contratação uma jogada de marketing, Sardas exalta os méritos da artista em ter total capacidade de compreender o que seu público quer.
Assim como consegue transpor para seus clipes e produções uma realidade comum a milhões de cidadãos, a sensibilidade de Anitta quanto ao dia a dia do povo, da juventude e de tudo o que movimenta as redes sociais é o grande trunfo da fintech para compreender o que está fora do radar da instituição, mas que é fundamental para guiá-los.
De acordo com o especialista, muito além da figura musical, Anitta é uma empresária, ativista e influenciadora, que carrega múltiplos sentidos. Nascida no subúrbio do Rio de Janeiro, Anitta representa o posto de mulher periférica que conquistou o País e a América Latina por meio de um ativismo empreendedor.
Nas palavras de Sardas, contratações como a de Anitta revelam a sensibilidade dos executivos em aportar novos sentidos ao negócio que quer conquistar outros milhões de clientes, principalmente, na Colômbia e México, onde Anitta já exerce grande influência.
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