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Notícia
Como patrão e empregado enxergam a empresa no pós-pandemia
Pesquisa da EY revela que 65% dos empresários não consideram estar preparados para atender às novas demandas de clientes.
01/01/1970 00:00:00
Que a pandemia do novo coronavírus exigiu transformações abruptas dentro da maioria das empresas no Brasil e no mundo ninguém mais tem dúvida.
No caso do varejo, a venda pela internet ou por redes sociais chegou a ser a salvação de milhares de comerciantes, que antes só atendiam o cliente no balcão.
Mas as mudanças decorrentes da pandemia nas relações de empresas com seus fornecedores e clientes também estão sendo exigidas no mundo do trabalho.
Uma pesquisa realizada pela EY com empregadores e empregados de sete países da América Latina, incluindo o Brasil, revela alguns caminhos em direção ao futuro.
“O discurso de ‘grandes tendências’ foi acelerado. O desafio é desconstruir a cultura relacionada ao trabalho físico, engajando as pessoas para abraçar as mudanças com modelos híbridos de trabalho”, cita relatório da pesquisa.
Tecnologia, análise de dados e ciência comportamental também aparecem na pesquisa como desafios para as empresas em tempos pós-covid-19.
O QUE PENSAM OS EMPRESÁRIOS
65% consideram que não estão preparados para atender às novas demandas de clientes.
44% entendem que os seus negócios estão em “grande perigo” por causa da covid-19.
62% acreditam que as lições da pandemia serão incorporadas ao Business as Usual (BAU).
83% acham que o impacto de aprendizado contínuo na agenda de negócios será amplo e/ou moderado.
O QUE PENSAM OS EMPREGADOS
46% afirmam que seus empregadores ainda não estão 100% preparados para as adaptações comportamentais esperadas de clientes e colaboradores no pós-covid-19.
85% do total dos consultados - e 94% dos respondentes do Brasil - avaliam que a demanda por inovação deve aumentar significativamente.
Com base nas respostas de cerca de 2.000 pessoas, a EY constatou acordos e desacordos entre patrões e empregados a partir da pandemia do novo coronavírus.
Uma das desconexões foi observada na questão custo, item muito mais observado pelas companhias a partir dos efeitos da pandemia.
Para o empregador, a reavaliação de custos passa por redução de processos manuais, automatização e melhoria de modelos organizacional e operacional.
Para os empregados, essa diminuição passa por criar alternativas para flexibilização de horas de trabalho, novos formatos de remuneração e revisão de política de descanso.
“Se empregador e empregado não correm na mesma direção em relação a desafios e perspectivas é um problema para a empresa”, afirma Miguel Assunção, sócio da EY para a área de Reestruturação Organizacional, Eficiência Operacional e Ágil.
Patrões e empregados já parecem alinhados quando se trata de modelos de trabalho e de gestão mais digital.
87% dos empregadores estudam formas de aprimorar – ampla ou moderadamente – seu portfolio de ferramentas digitais.
93% deles planejam ações amplas/moderadas nos protocolos de segurança no trabalho.
80% dos empregados esperam por melhores ferramentas digitais - suporte e treinamentos.
CLIENTE E FUNCIONÁRIO
Ter o cliente no centro da operação, de acordo com Assunção, torna- se cada vez mais importante, assim como o colaborador.
No caso do varejo, atender bem o cliente é ter processos que lojistas acreditam ser os melhores, modelando a operação de sortimento, atendimento e processos de SAC.
“Depois que o comerciante mapear o que é necessário para a experiência do consumidor, precisa também garantir que os colaboradores estejam engajados para que possam fazer a entrega da experiência para o cliente”, afirma.
A pandemia do novo coronavírus, diz o sócio da EY, mostrou que não existe uma linha reta na condução dos negócios e que é preciso estar preparado para reveses.
E os empregados, de acordo ele, devem estar juntos nesta empreitada.
Prudência, planejamento, eficiência operacional, aprendizado contínuo, experiência do colaborador, de acordo com relatório da EY, podem ajudar na definição de planos de ação das empresas para enfrentar os próximos meses.
Vale destacar também, diz Assunção, que há algum tempo, o retorno financeiro era critério para avaliar uma empresa.
Hoje, os investidores também analisam engajamento dos colaboradores e dos consumidores com o propósito da marca.
A tecnologia adotada pela empresa para suportar o formato de trabalho e os cuidados com a sustentabilidade como um todo também são muito mais observados.
Outro desafio colocado para a empresa no pós-pandemia, cita Assunção, é a transmissão da cultura do negócio por meio do formato digital.
Em uma rede com 30 lojas espalhadas pelo país, por exemplo, a transmissão da cultura era feita por meio de viagens de gerentes regionais, que iam de loja em loja.
“Agora, é preciso manter essa mesma transferência de forma virtual”, diz ele.
RESSACA PÓS-COVID-19
Para Tito Bessa, presidente da Ablos, associação que reúne lojistas de shoppings, as percepções observadas na pesquisa revelam a ressaca do pós-covid-19.
“São ensinamentos trazidos na dor, como a necessidade da otimização do trabalho, do home office, que muitos empresários jamais pensariam que daria certo”, diz ele.
Nunca se falou em venda on-line no varejo, diz Bessa, como ultimamente. “Otimização do trabalho e e-commerce são ensinamentos que vieram para ficar.”
Engajamento e treinamento de funcionários, diz ele, sempre foram necessários no mundo do varejo. “Treinar e atender bem é obrigação.”
O que a pandemia escancarou de vez no setor, diz ele, é a possibilidade de utilizar outros canais de vendas.
De acordo com Bessa, pelo menos 85% das empresas do varejo estão fragilizadas, e por isso se faz necessária a busca por alternativas de vendas.
De acordo com relatório da EY, mesmo depois de expostas as sensibilidades de patrões e empregados no mundo pós-covid-19, as incertezas ainda são muitas, demandando das empresas a combinação de pragmatismo com curiosidade e experimentação.
“A dinâmica do trabalho foi definitivamente modificada dentro do contexto da pandemia e não deve retornar ao antigo “normal”, mesmo em setores historicamente ancorados em conceitos tradicionais de gestão de negócios/pessoas”, cita o relatório da EY.
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