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Notícia
Análise: Por que compramos o que compramos?
Em um mundo de busca frequente pela satisfação, comprar se tornou uma espécie de recompensa que tem arruinado o orçamento de muitos.
01/01/1970 00:00:00
O ato de comprar, que no passado se resumia ao suprimento das necessidades, tornou-se uma válvula de escape para sentimentos e emoções. Há quem compre por estar triste, deprimido, insatisfeito e há quem o faça exatamente pelos motivos contrários: alegria, comemoração, celebração.
A questão é que, quando nós, seres humanos racionais, deixamos a racionalidade de lado e agimos baseados em sentimentos e emoções, raramente colhemos bons frutos. O conselho “ouça a voz do seu coração” pode ser muito agradável e popular, porém, é altamente nocivo para quem resolve colocá-lo em prática.
Coração não pensa, apenas sente. Por isso, quem enfrenta um momento de estresse e age baseado nesse sentimento, fala o que não deve e age de formas que jamais faria se estivesse bem. Daí nascem os arrependimentos, as inimizades, as mágoas. Nem sempre é possível voltar atrás e a marca de um ato impensado pode nos perseguir por muito tempo.
Quanto à vida financeira, os resultados estão aí: mais de 60 milhões de pessoas inadimplentes sem saber como vão colocar comida na mesa por simplesmente terem agido no calor das emoções e sem medir as consequências.
Casas entulhadas de coisas inúteis, enquanto as contas bancárias geram juros sobre juros devido ao saldo negativo. A bola de neve está formada e os momentos de satisfação gerados pelas compras já não são nem sequer lembrados.
Por mais que o mundo esteja corrido e concorrido, não podemos ceder à tentação de viver sem raciocinar. Aquilo que plantarmos hoje será exatamente o que iremos colher amanhã, portanto, jogar qualquer semente achando que tudo vai ficar bem chega a ser ingênuo. Tão ingênuo quanto se deixar levar em frente a uma vitrine linda, acreditando que comprar mais um produto fará a nossa vida mais feliz.
A pergunta é: por que você compra o que você compra? O que o move a passar o cartão mesmo sabendo que não terá dinheiro para pagar? O que o faz arriscar seu futuro – e de sua família – por momentos de satisfação que, cedo ou tarde, irão passar?
É preciso racionalizar não só os nossos hábitos de consumo, mas a vida em si. Temos essa capacidade e não devemos desprezá-la, afinal, é o que nos diferencia de todos os demais seres. Em uma época em que se fala amplamente de empoderamento, os seres humanos nunca estiveram tão desempoderados devido à falta de uso de sua maior habilidade: pensar.
Que possamos retomar essa habilidade para o nosso próprio bem.
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