Exame técnico sobre as regras da Receita Federal para entrega extemporânea, metodologia de cálculo sobre o imposto devido e impactos financeiros
Notícia
Crédito deve crescer 9% no ano, diz BC
Projeção anterior, de 11%, foi cortada para um dígito pelo arrocho monetário.
01/01/1970 00:00:00
A retração econômica e a alta da taxa de juro levou o Banco Central a revisar a expectativa de crescimento do crédito este ano de 11% para 9%. No ano passado, a expansão do crédito foi de 11,3%. Se as estimativas se confirmarem, essa será a menor expansão nominal do segmento desde 2003, quando a taxa ficou em 8,8%. Além disso, segundo dados da autoridade monetária, o crédito piorou e a inadimplência cresceu.
Em entrevista ontem, o chefe do Departamento Econômico da instituição, Tulio Maciel, piorou ainda a previsão de alta do estoque de crédito livre, aquele que os bancos têm autonomia para aplicar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros, este ano a 5% ante 6%, e do crédito direcionado, empréstimos com regras definidas pelo governo, a 14%, sobre 16% anteriormente.
O crédito dos bancos públicos deve apresentar expansão de 13%, ante estimativa anterior de 14%. Já as instituições privadas nacionais devem ter crescimento de 4%, bem menor do que 7% previstos em março. Os bancos privados estrangeiros terão expansão de 7% no crédito, a mesma estimativa anterior do BC.
A inadimplência no mercado de crédito subiu pelo segundo mês consecutivo em maio no segmento de recursos livres, chegando ao maior patamar desde 2013, acompanhada pelo aumento dos juros em meio ao aperto monetário conduzido pelo Banco Central para domar a inflação. No segmento, a inadimplência foi de 4,7% no mês passado, ante 4,6% em abril.
Ao mesmo tempo, a taxa de juros média do segmento passou a 42,5% em maio, sobre 41,8% em abril, renovando recorde de alta da série histórica iniciada em março de 2011.
De acordo com Maciel, o menor ritmo de crescimento do crédito reflete o nível da atividade econômica e também o processo de aperto monetário promovido pelo BC desde outubro do ano passado. “De uma maneira geral, o comportamento do mercado de crédito segue o ajuste macroeconômico em curso”, diz.
Maciel lembrou que as taxas de juros do crédito sobem em linha com o aumento a Selic, atualmente em 13,75% ao ano. Em dezembro de 2014, a taxa de juros para pessoas físicas estava em 49,6% ao ano e, em maio, chegou ao recorde da série histórica iniciada em 2011 ao ficar em 57,3% ao ano.
Para o diretor do BC, esse cenário reflete tanto nos bancos, que oferecem menos crédito, quanto para os clientes, que reduzem a procura por empréstimos. Esse movimento, no entanto, acaba contribuindo com a inflação. O governo vem adotando medidas para desestimular o consumo e, consequentemente, arrefecer a persistente alta dos preços. No acumulado em 12 meses até maio, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 8,47%, bem longe o objetivo do governo de 4,5%.
A pesquisa do BC aponta a taxa de juros do rotativo do cartão de crédito como a mais alta, em 360,6% ao ano, um avanço de 13,1 pontos porcentuais sobre abril. “O crédito rotativo por definição tem taxa de inadimplência mais elevada e isso acaba refletindo na taxa de juros”, disse Maciel. Ele acrescentou que os cidadãos devem ficar atentos à taxa de juros dessa modalidade e usar somente em casos excepcionais e por prazo muito curto de tempo.
Segundo dados do BC, o estoque total de crédito em maio ficou em R$ 3,08 trilhões, ante R$ 3,06 trilhões em abril. Esse total representa 54,4% do Produto Interno Bruto (PIB). As concessões recuaram de R$ 305 bilhões em abril para R$ 302,1 bilhões. Já o spread subiu de 17,1% para 17,4%. O prazo das concessões ficou em 113,3 meses, ante 112,6 meses em abril. A média da inadimplência se manteve em 3%.
O analista da Austin Rating Luis Miguel Santacreu não descarta a possibilidade de a previsão de crescimento do crédito este ano ser revisada para pior novamente e também de haver um novo aumento da inadimplência. Este cenário reflete o atual momento de retração econômico e, de acordo com ele, não está descartada o aprofundamento da crise no terceiro trimestre do ano. “A política de contração com taxa de juro alta será mantida, o desemprego esta crescendo no comércio e serviços, indústria nem se fala. Estamos caminhando para um terceiro trimestre também ruim”, diz, ressaltando que, diante deste cenário, os bancos devem continuar cada vez mais restritivos na concessão do crédito. “Este vai ser um ano bem difícil. Antigamente os bancos públicos tinham mais disposição para conceder crédito, hoje isso não acontece mais, eles também estão mais atentos”, ressalta.
Santacreu pondera ainda que até segmentos como o imobiliário e o consignado tendem a sofrer um pouco neste cenário. “Esses dois produtos começam a concentrar a atenção dos bancos, principalmente o imobiliário”, avalia.
Mais que o aumento da inadimplência, o analista ressalta que as instituições têm que estar atentas para que não haja o avanço dos devedores de crédito ruim. “O desemprego deve aumentar e muitas famílias podem se verem obrigadas a recorrer ao crédito de modalidade ruins como o uso do cartão de crédito e do cheque especial. Esses instrumentos têm taxas muito alta”, lembra.
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