A Declaração Anual do MEI, assim como outras obrigações, gera dúvidas para o seu preenchimento. Uma delas é se o MEI sem movimento precisa entregar a declaração
Notícia
FGV confirma desaceleração
O aprofundamento da perda de ritmo deve ser a marca da economia brasileira no segundo trimestre deste ano.
01/01/1970 00:00:00
O aprofundamento da perda de ritmo deve ser a marca da economia brasileira no segundo trimestre deste ano.
O Monitor do PIB, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), mostra que o crescimento do Produto Interno Bruto acumulado em 12 meses saiu de 2,5% no primeiro trimestre deste ano para 1,4% no segundo. O Monitor tenta antecipar mês a mês os rumos da economia usando as mesmas metodologia e fontes de informação empregadas no cálculo oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a previsão, a soma da renda gerada no País entre abril e junho foi 0,8% menor do que em igual período do ano passado. Se confirmado – no dia 29, quando o IBGE anunciar os números oficiais do segundo trimestre – será o pior resultado desde o terceiro trimestre de 2009 (-1,5%) nesse tipo de comparação.
"O resultado da indústria está sendo um desastre total", resume o economista Claudio Considera, pesquisador associado do Ibre/FGV e responsável pela pesquisa ao identificar a principal causa do mau resultado. No segundo trimestre, o PIB da indústria caiu 4,9% sobre igual período de 2013. O segmento extrativo melhorou no período, com alta de 6,1%, mas isso não anulou as perdas na construção (-9,1%) e na indústria de transformação (-7,6%).
Também o setor de serviços, que responde por dois terços da economia, perdeu força e subiu 0,4% no segundo trimestre, diante do enfraquecimento de segmentos como comércio e outros serviços. Na agropecuária, a recuperação entre maio e junho fez com que a renda gerada pela atividade fosse 2,3% maior no segundo trimestre do que em igual período de 2013.
"A economia desacelerou, e a atividade mais arrefecida teve impacto inclusive sobre os impostos no PIB, já que eles são calculados sobre a produção e a importação", cita Considera, que já esteve à frente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, responsável pelo cálculo oficial do PIB, e foi Secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda
Ao todo, a arrecadação de impostos recuou 1,6% em relação ao segundo trimestre de 2013 e contribuiu com -0,1 ponto porcentual na queda do PIB de abril a junho deste ano.
Hoje, as atenções se voltam ao Indicador de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de junho, outro termômetro da economia brasileira.
SUSTO E ERROS
Para o economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, hoje à frente da Gávea Investimentos, gestora de recursos de terceiros, a economia brasileira mostra “um quadro que nos assusta”: sinais de inflação elevada, indisciplina fiscal e controle de câmbio.
“Estamos vivendo algo que, se não tomarmos cuidado, podemos perder a maravilha que é a estabilidade. Nos últimos anos, há uma inflação relativamente alta, a despeito dos congelamentos, e um relaxamento da disciplina fiscal necessária”, afirmou. “A economia está desacelerando, com um modelo voltado para consumo, com pouca capacidade para mobilizar capital”.
O professor Fernando Holanda Barbosa, da Escola de Pós Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas (EPGE-FGV) culpa "erros de política econômica do governo Dilma Rousseff" pela forte desaceleração do ritmo da expansão do PIB, de uma taxa de 1% ao trimestre na era do ex-presidente Lula (2003 a 2010) a uma marca trimestral de 0,5% na administração atual.
"No governo Dilma, a política monetária foi aplicada com voluntarismo para a redução dos juros, o que não dá certo", destacou. "A meta de inflação é de 4,5%, mas na prática é de 6% a 6,5%."
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