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Notícia
As pequenas perdem espaço no crédito
O cenário já havia sido previsto por especialistas no início do ano e se confirmou
01/01/1970 00:00:00
O saldo das operações de crédito até R$ 100 mil registrou avanço de 8,9% até agosto deste ano, para R$ 168,923 bilhões, de acordo com dados do Banco Central. O avanço é inferior ao de outras faixas, o que, segundo especialistas, é explicado pela maior demanda de médias e grandes empresas ao crédito bancário e pela preferência das próprias instituições financeiras por este segmento, que possui menor risco de inadimplência. Na faixa de empréstimos entre R$ 100 mil e R$ 10 milhões, o crescimento foi de 13,5% ante agosto de 2011. Já em valores acima de R$ 10 milhões a expansão foi de 20,8%.
O cenário já havia sido previsto por especialistas no início do ano e se confirmou, inclusive com a maior participação de bancos públicos no crédito a micro e pequenas empresas, já que houve incentivos governamentais. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, destinará R$ 1,5 bilhão somente na linha de financiamento do 13º salário.
O economista-chefe da Serasa Experian, Luiz Rabi, explica que a reduzida expansão econômica brasileira e o adverso cenário internacional prejudicaram a captação de recursos externos ou via mercado de capitais. “As médias e grandes empresas vieram para o mercado bancário doméstico e a corda estoura para o lado mais fraco [micro e pequenas companhias – MPEs]”.
Com a grande demanda por parte das companhias de maior porte, os bancos optaram por ofertar para este segmento. A rentabilidade em MPEs, contudo, segundo Rabi, é maior, mas o risco de atraso nos pagamentos é menor. “Rentabiliza menos com as grandes empresas, mas os bancos preferem correr menos riscos nesse cenário adverso.”
O indicador da Serasa Experian sobre a demanda das empresas por crédito demonstra que a busca das grandes empresas por crédito elevou 15% de janeiro a outubro de 2012 contra o mesmo período de 2011. Nas médias companhias, a alta foi de 12,1%, e nas micro e pequenas, a demanda acumulou recuo de 5%.
Nesse cenário, os bancos públicos ganham espaço na oferta de empréstimos. Somente na linha de financiamento do 13º salário dos funcionários, a Caixa Econômica Federal disponibilizou R$ 1 bilhão em agosto.
Roberto Derziê, diretor-executivo de pessoa jurídica da Caixa, revelou ao DCI que R$ 742,6 milhões foram concedidos até 31 de outubro. “Mas certamente vamos alocar mais R$ 500 milhões, além do R$ 1 bilhão inicial, até fevereiro.” O total de empresas atingidas foi de 61,052 mil com tíquete médio de R$ 12,1 mil. O volume demandado pelos clientes este ano foi 40% superior ao ano passado. “A questão da carência e da taxa foram atrativos que justificam o crescimento”, afirma. A linha de 13º do banco público possui carência de até seis meses para o pagamento da primeira parcela e taxas de juros que variam de 0,83% até 1,5% ao mês.
Segundo o diretor, a maior procura vem das micro e pequenas empresas. “Para o empresário, o final do ano, a partir de setembro, é o período de formar estoque para as compras de final de ano, contratação de pessoal e o momento de pagar o 13º salário.”
O saldo da carteira de MPEs da Caixa totalizou R$ 27,08 bilhões até outubro de 2012. Do total, R$ 20,80 bilhões correspondem à carteira de capital de giro, com 509,480 mil contratos. A linha de 13º salário, que somou R$ 742,6 milhões até outubro, representa 4% do valor e 12% na quantidade de contratos do capital de giro.
No Banco do Brasil, a carteira de crédito para micro e pequenas empresas avançou 28,4%, para R$ 80,001 bilhões ao final do terceiro trimestre de 2012 na comparação com o mesmo período do ano passado. No Itaú Unibanco, o avanço na categoria, que inclui as médias empresas, foi de 1,1% em um ano, para R$ 89,448 bilhões. O Bradesco e o Santander acumularam avanço em suas carteiras para pequenas empresas de 13,3%, para R$ 111,1 bilhões, e 19,5%, para R$ 34,824 bilhões, respectivamente.
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