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Notícia
Desaceleração das vendas chega aos shoppings
É a primeira vez neste ano que os controladores de shoppings relatam desaquecimento na demanda no varejo.
01/01/1970 00:00:00
Algumas das maiores empresas de shopping centers no Brasil verificaram desaceleração nas vendas de seus lojistas no terceiro trimestre, o que afetou o indicador chamado aluguel percentual das companhias, calculado com base na receita de vendas dos clientes. Já há sinais de que essa perda de ritmo deve se estender aos últimos meses de 2011, e as lojas de shoppings podem fechar o ano com velocidade de expansão menor do que a apurada em 2010.
A perda de ritmo atingiu as grandes lojas, chamadas âncoras, e também os pontos de porte médio, informam os grupos. É a primeira vez neste ano que os controladores de shoppings relatam desaquecimento na demanda no varejo. "Houve uma desaceleração no consumo. As vendas em "same-store sales" [lojas abertas há mais de 12 meses] foram menos agressivas. Esse indicador para as lojas satélites não foi tão forte", disse José Baeta Tomás, presidente da Sonae Sierra Brasil, que administra ou controla dez empreendimentos no país. Lojas satélites são pontos de médio e pequeno porte.
Ña avaliação do comando da Sonae Sierra, que controla o Parque Dom Pedro Shopping, "essa menor euforia" no consumo tem levado a empresa a ficar atenta aos indicadores de demanda, e de certa forma, também ajuda a justificar o "bom humor cauteloso" da empresa para 2012, disse Tomás. A venda total das lojas de seus shoppings cresceu 13% de janeiro a março, caiu para 12,4% de abril a junho e foi a 10,1% de julho a setembro.
Na BR Malls, a maior empresa de shoppings do país, com 43 empreendimentos no portfólio, esse desaquecimento foi percebido nas maiores lojas. De acordo com relatório de resultados da companhia, as megalojas e as âncoras apresentaram desaceleração nas vendas (nas lojas abertas há mais de 12 meses) atingindo alta considerada discreta de 4,7% e 2,6% para os dois modelos, respectivamente, no terceiro trimestre. A alta base de comparação do ano anterior explica, em parte, esse desempenho.
"Temos visto uma desaceleração nas vendas "mesmas lojas", então acreditamos que esse indicador deve crescer de 8% a 10% no quarto trimestre, em linha com a variação dos últimos trimestres e abaixo da média de 14% a 16% de alta de 2010", disse Carlos Medeiros, diretor presidente da BR Malls, em teleconferência com analistas. "O que vai acontecer é que entramos em 2012 com a base menor, então isso vai facilitar o crescimento no ano que vem", disse.
Dados apresentados pela BR Malls mostra que as vendas totais das lojas dos shoppings do grupo, entre eles o Shopping Villa-Lobos e o Fashion Mall, que acumulavam alta de 22% de janeiro a junho, fecharam o período de janeiro a setembro com expansão menor de 7,5% - reflexo do desaquecimento do terceiro trimestre.
O aluguel percentual da companhia (oriundo da receita com venda das lojas), responsável por 7% do ganho total de aluguel, cresceu 47,5% no terceiro trimestre, índice considerado positivo pela empresa, mais abaixo da alta de 53% de janeiro a março e de 66,5% de abril a junho. Na análise por classe econômica, as vendas dos clientes da BR Malls (para o critério "mesmas lojas") que vendem para a classe D cresceram 8,1% no terceiro trimestre, abaixo do ritmo de crescimento verificado de abril a junho, quando a expansão foi de 10%. As varejistas que atendem a classe C verificaram alta de 8,1%, acima dos 7,1% do trimestre anterior.
Na avaliação da Iguatemi Empresa de Shopping Centers, "em relação ao varejo, o crescimento nas vendas nos shoppings foi levemente inferior aos períodos anteriores, mas compensado pelo trabalho constante de mudança no mix [de lojas]". De julho a setembro, as vendas mesmas lojas cresceram 7,5%, abaixo dos 10,4% do trimestre anterior.
Nessas grandes empresas de shoppings, os ganhos elevados com outras receitas diversas, como estacionamentos, aluguel de lojas e a cobrança de taxas (como a de cessão de direitos, paga pelo lojista para ingressar num novo shopping center) tem reforçado o caixa das companhias, o que acaba reduzindo o impacto da perda com o aluguel percentual.
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