A temporada de entrega do Imposto de Renda 2026 se aproxima e reunir os documentos com antecedência pode simplificar o processo
Notícia
IOF: você sabe o que é e o peso que ele tem no seu crédito?
Para cada operação, existia uma alíquota diferente. Para empréstimos de maneira geral, o IOF encarecia em 0,5% ao mês o valor contratado.
01/01/1970 00:00:00
Ele está em todos os noticiários, virou instrumento do Governo na tentativa de controlar a inflação e está fazendo muita gente temer contratar crédito. Mas especialistas dizem que os consumidores de maneira geral sequer sabem o que é o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e o peso que ele tem nos financiamentos. É o seu caso?
Embora tenha ganhado destaque nos últimos dias, por conta do aumento da alíquota de 1,5% ao ano para 3% ao ano para pessoa física, o imposto é antigo. “Ele surgiu com a reforma tributária de 1966 [Lei 4.143/66] para substituir o Imposto sobre Transferências para o Exterior”, explica o presidente do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), João Eloi Olenike.
Enquanto o antigo imposto tributava apenas as transferências bancárias realizadas para outros países, o IOF veio para abarcar qualquer transferência realizada em instituições financeiras, considerando não só bancos, mas também financeiras. Em 1980, o Governo editou o Decreto 1.783 regulamentando o imposto e determinando que ele incide sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários.
Para cada operação, existia uma alíquota diferente. Para empréstimos de maneira geral, o IOF encarecia em 0,5% ao mês o valor contratado. Para operações de câmbio, por sua vez, a alíquota era de 15% ao mês e para operações de títulos e valores, o contribuinte pagava 10% ao mês por operação. Ao longo dos anos, a alíquota do imposto sofreu variações, de acordo com as necessidades econômicas do País.
Diante delas, o Governo editou mais um decreto (nº 6.306, de dezembro de 2007), regulamentando mais uma vez o imposto. E por ele ficou estabelecido que o IOF continuava a incidir sobre as operações discriminadas no decreto anterior, mas a alíquota seria de 1,5% ao ano, no máximo, independentemente da operação.
Imposto Regulatório
Que o IOF incide sobre transações de crédito o próprio nome já deixa isso claro. Mas para que serve esse imposto? “Ele é um imposto regulatório de competência da União”, explica o advogado tributarista do escritório Salusse Marangoni e diretor do IASP (Instituto dos Advogados de São Paulo), Allan Moraes. “Um imposto regulatório tem como finalidade a arrecadação e a regulação da atividade econômica”, explica.
Dessa forma, por meio da arrecadação do IOF, o Governo tem como saber como está a demanda e oferta de crédito no País. O advogado explica que, além do IOF, existem outros impostos regulatórios, como o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), II (Imposto sobre Importação) e IE (Imposto sobre Exportação).
Além dessa característica – de regular determinadas atividades econômicas – e muito por causa dela, os impostos regulatórios podem ter suas alíquotas alteradas a qualquer momento, por meio de decreto, sem ter de passar por longos processos de aprovação no Congresso Nacional. “Se for preciso mexer na alíquota para alterar a atividade econômica, é preciso fazer de imediato”, explica Olenike.
Por ser fácil de alterar e por permitir a regulação do mercado financeiro, o IOF se tornou um bom instrumento para que o Governo controle o crédito. Para Olenike, no entanto, os efeitos não devem ser os esperados. “O consumidor, quando quer comprar, vê o número de parcelas que pode pagar e leva a mercadoria”, afirma. “A alta da alíquota não atinge grande parte dos consumidores”, acredita.
Outro motivo pelo qual os especialistas concordam que a medida não surtirá efeito é que a maior parte dos consumidores tem outras opções de crédito que não são atingidas pelo IOF, como cartões de loja e parcelado “sem juros”. Moraes alerta, porém, que no caso de crediário, se ele for “terceirizado”, ou seja, quando tem uma financeira por trás da loja, o consumidor deve ficar em alerta, pois há incidência do imposto.
A CPMF
Ao longo de sua história, a alíquota do IOF foi alterada diversas vezes. Em uma delas, em janeiro de 2008, a alíquota ficou 0,38% maior. Naquele ano, a ideia era clara: compensar as perdas na arrecadação provocadas pela extinção em 2007 da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), cuja alíquota era de 0,38%.
Embora existam vozes que insistem que o aumento recente do imposto tem a ver com a CPMF, os especialistas consultados acreditam que os assuntos estão distantes no tempo. “Não existe uma ligação direta. Mas a mudança elevará a arrecadação”, afirma Moraes. “O aumento da alíquota veio no sentido de suprir o montante que o Governo deixará de arrecadar por conta do reajuste da tabela do Imposto de Renda em 4,5%”, acredita o presidente do IBPT.
Diferente do IOF, a CPMF era uma contribuição com destino certo: investir na Saúde. O IOF, por sua vez, cai no caixa único da União e não tem uma destinação específica.
O peso no crédito
Agora que ficou claro o que é o imposto, sua destinação e objetivo, também fica mais claro saber como de fato ele impacta no crédito. E a conta, afirmam os especialistas, é simples. Se a alíquota diária do imposto passou de 0,0041% para 0,0082%, o empréstimo que você tomou do banco está 0,0041% mais caro a cada dia.
Na simulação abaixo, considerando um crédito de R$ 1 mil, em um ano o consumidor pagará R$ 15,30 a mais de imposto por conta da mudança da alíquota. Embora pareça um valor baixo, ele será maior quanto maior for o valor contratado. Por isso, a recomendação é sempre fazer as contas.
De R$ 1 mil, com nova alíquota (0,0082% ao dia) O peso do IOF no seu crédito Crédito Após um dia Após dois dias Após 30 dias Após um ano De R$ 1 mil, com alíquota antiga (0,0041% ao dia) R$ 1.000,041 R$ 1.000,082 R$ 1.001,23 R$ 1.015,08 R$ 1.000,082 R$ 1.000,16 R$ 1.002,46 R$ 1.030,38 Diferença em R$ R$ 0,041 R$ 0,078 R$ 1,23 R$ 15,30 Fonte: Simulação InfoMoney (não leva em conta os demais impostos, tributos, taxas e outros encargos de um financiamento, somente o IOF)
Notícias Técnicas
Escolha deve levar em conta perfil de renda e volume de despesas dedutíveis de cada contribuinte
DCBE 2026 deve ser entregue por residentes com ativos no exterior acima de US$ 1 milhão. Descumprimento pode gerar multas de até R$ 250 mil
A Receita Federal publicou, nesta 4ª feira , a Instrução Normativa RFB nº 2.309, que reforça o controle fiscal sobre o CNO
Comunicamos que a partir de 02/03/2026 será promovida a alteração no tratamento administrativo aplicado NCM
Descubra como escritórios de contabilidade podem crescer em 2026 com SEO. Guia prático para atrair clientes através de buscas online e conteúdo relevante
Benefício pago a trabalhadores dispensados sem justa causa tem valor mínimo de R$ 1.621 em 2026 e número de parcelas varia conforme o tempo de trabalho e a média salarial
Ministério do Trabalho cruza dados do eSocial e da Caixa para identificar inadimplentes de 2025
Incertezas na reforma tributárias acendem alerta em estabelecimentos, que receiam risco de concorrência desigual caso fiquem de fora dos mesmos benefícios tributários
A publicação da ABNT NBR 17301 representa um marco normativo relevante no processo de institucionalização da cultura de compliance no Brasil
Notícias Empresariais
Parar de insistir não significa desistir da ambição. Significa redirecioná-la
Pesquisa revela convergência de valores entre profissionais e reforça o papel estratégico dos benefícios corporativos na atração e retenção de talentos
Existe uma diferença sutil e decisiva entre confiança e vaidade na trajetória de um gestor
Erros identificados em períodos anteriores podem exigir reabertura de eventos no eSocial e recolhimento complementar de tributos com acréscimos legais
O cenário atual não é de simplificação, mas de um cerco financeiro sem precedentes
A busca por resultado real e o avanço da IA estão transformando a forma de operar das empresas
A retenção de colaboradores se tornou uma das pautas mais urgentes do ambiente empresarial brasileiro
Entenda como a nova regulamentação pretende proteger brasileiros contra o estelionato eletrônico e garantir maior transparência bancária
Muito se fala que o MEI precisa tomar cuidado com o limite de faturamento anual, que é de R$ 81 mil
Atualização esclarece que certificados rotulados como NFe e CTe não possuem restrição técnica de uso, garantindo que empresas e empreendedores tenham clareza sobre o que contratam, segundo a ANCert
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade
