Antecipação na organização pode reduzir riscos de malha fina, evitar multa por atraso e aumentar as chances de restituição nos primeiros lotes
Notícia
BC decide intensificar compra de dólares
Para suavizar valorização do real, instituição vai adquirir volume maior de moeda estrangeira nas operações que faz no mercado
01/01/1970 00:00:00
KENNEDY ALENCAR
O Banco Central vai acelerar a compra de dólares a fim de tentar suavizar o processo de valorização do real em relação ao dólar. A estratégia será comprar mais dólares a cada lote adquirido nas intervenções que o BC faz para adquirir moeda estrangeira.
Segundo a Folha apurou, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi informado pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de que havia limitações para a ação de compra de dólares, mas que a instituição a intensificaria como medida de curto prazo para suavizar a valorização do real.
Meirelles foi claro. Disse a Lula que essa ação não resolveria, mas ajudaria a conter uma valorização ainda maior do real. O presidente do BC frisou que seria ação de curto prazo. A política de o BC comprar mais dólares vem sendo defendida pelo Ministério da Fazenda há algumas semanas.
Ele também disse ao presidente que ainda há espaço para nova queda da taxa básica de juros, a Selic, hoje em 8,75% ao ano. No entanto, esse espaço estaria cada vez mais estreito. Ou seja, o governo deve esperar eventuais reduções menores do que as adotadas nas últimas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária). Nas palavras de um auxiliar do presidente, seriam reduções menores. No máximo, meio ponto percentual, como na última reunião, ou 0,25 ponto percentual. Dificilmente o BC fará novas diminuições na casa do 1 ponto percentual, como fez ao longo do primeiro semestre.
O Copom é o órgão do BC que se reúne para fixar a Selic. O próximo encontro será entre os dias 1º e 2 de setembro.
Nas palavras de um ministro, o BC pretende "tonificar as intervenções" que vem fazendo no mercado de câmbio desde maio. Naquele mês, passada a fase aguda da crise, a instituição atuou com foco na compra direta de dólares que estão nas carteiras dos bancos. Até a semana passada, as aquisições somavam US$ 8,9 bilhões.
Em julho, a média foi de US$ 94 milhões por dia, pouco perto do volume de recursos que se movimenta no mercado de câmbio, montante que varia muito a cada dia, mas que pode chegar a US$ 4 bilhões. No ano passado, antes da crise, o BC chegava a comprar US$ 1 bilhão num único dia para tentar conter a queda do dólar.
Em março, o BC também passou a resgatar os empréstimos em moeda estrangeira que haviam sido concedidos a instituições financeiras entre o final de 2008 e o início de 2009, quando as turbulências dos mercados dificultaram o acesso do setor privado brasileiro a linhas de crédito internacionais. Dos US$ 24 bilhões em linhas de crédito em dólar que o BC injetou no mercado devido à crise, US$ 20,1 bilhões já haviam sido quitados até o final da semana passada.
Reflexos
A atuação do Banco Central no câmbio tem dois efeitos: reforçar as reservas em moeda estrangeira do país e colaborar para uma desvalorização do real. No primeiro caso, as intervenções nos últimos meses ajudaram as reservas a subir de US$ 201,3 bilhões no final de abril para US$ 212,6 bilhões na última sexta-feira.
A pressão sobre a taxa de câmbio é resultado do aumento que a ação do BC provoca na procura por dólares no mercado. Teoricamente, quanto maior a demanda pela moeda dos EUA, mais alta a sua cotação. Nos últimos meses, as compras do BC não foram suficientes para reverter o efeito que o ingresso de capital externo do Brasil tem tido sobre a cotação do dólar, mas ajudaram a tendência de alta do real. É essa ajuda que Meirelles disse a Lula que pretende reforçar.
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