Material tem caráter orientativo e busca esclarecer dúvidas sobre a aplicação das normas, especialmente no contexto do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO)
Notícia
Caixa cheio nem sempre é sinal de boa coisa
No setor privado, uma empresa que encerra o mês com dinheiro em caixa costuma ser vista como bem administrada. A liquidez, nesse caso, indica eficiência operacional e capacidade de gerar lucros
01/01/1970 00:00:00
No setor privado, uma empresa que encerra o mês com dinheiro em caixa costuma ser vista como bem administrada. A liquidez, nesse caso, indica eficiência operacional e capacidade de gerar lucros.
Mas, na administração pública, essa lógica se inverte. Um cofre cheio pode, contraditoriamente, revelar ineficiência, atrasos e má aplicação dos recursos públicos. O que parece prudência, muitas vezes, é falta de execução.
A Contabilidade Aplicada ao Setor Público tem como objetivo registrar, acompanhar e evidenciar a execução orçamentária, financeira e patrimonial do Estado, de forma a demonstrar não apenas o controle do gasto, mas também o resultado das políticas públicas.
Diferentemente da contabilidade empresarial, voltada ao lucro e à liquidez, a contabilidade pública é guiada por princípios constitucionais como a legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (artigo 37, da Constituição Federal).
Seu foco não é o lucro, mas o valor público gerado pela aplicação eficiente dos recursos arrecadados. De modo que ter saldo elevado em caixa pode parecer um alívio fiscal, mas nem sempre é motivo de comemoração.
Na prática, pode indicar subexecução orçamentária, ou seja, o governo deixou de executar parte dos recursos previstos na Lei Orçamentária Anual. Essa situação é especialmente preocupante quando o dinheiro disponível é de fontes vinculadas, como saúde, educação ou convênios, cuja não aplicação no prazo legal pode gerar devolução de recursos e consequentemente prejuízo social.
De acordo com o artigo 8º, da Lei Complementar nº 101/2000 (LRF), a execução orçamentária deve obedecer a um cronograma mensal de desembolso compatível com a realização da receita (finalidade específica). Ou seja, não basta arrecadar, é preciso executar o orçamento de forma tempestiva e planejada, sob pena de descumprir o princípio da eficiência e comprometer o equilíbrio fiscal.
A LRF reforça ainda, em seu artigo 1º, §1º, que a responsabilidade na gestão fiscal consiste em "planejar, prevenir e corrigir" a execução das receitas e despesas, com transparência e cumprimento das metas de resultado.
Assim, o gestor que se orgulha de manter dinheiro parado em caixa (a aplicação para rendimentos é obrigatória) não está sendo prudente, pelo contrário, está sendo omisso em relação às finalidades públicas do gasto.
É claro que manter certa reserva de caixa é necessário. Nenhum ente público está imune à sazonalidade das receitas, à queda de arrecadação ou a situações emergenciais, como calamidades ou precatórios judiciais.
Entretanto, o equilíbrio fiscal saudável se distingue do imobilismo financeiro. Enquanto o primeiro representa gestão responsável e previsora, o segundo, nas palavras do professor José Maurício Conti traduz ineficiência e lentidão na execução das políticas públicas.
O Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, publicado pela Secretaria do Tesouro Nacional, orienta que o acompanhamento da execução financeira deve estar sempre articulado ao desempenho orçamentário e físico dos programas governamentais.
Isso significa que dinheiro em caixa não é indicador de eficiência, se não vier acompanhado de resultados concretos para a sociedade. É como diz o ditado: Eficiência, na gestão pública, não é gastar menos é gastar bem.
É transformar recursos orçamentários em ações e serviços que melhoram a vida das pessoas, com regularidade, transparência e economicidade.
Guardar dinheiro enquanto há escolas precisando de reforma, obras paradas, sujeiras em demasia ou filas em hospitais é o oposto de eficiência: é custo de oportunidade social.
Mas é como costuma dizer um colega meu, leigo, mas de uma sabedoria rara: "há quem trate o dinheiro público como se fosse poupança pessoal, acumulando recursos enquanto desfruta dos privilégios do cargo, com boa mesa e viagens pelo mundo".
O bom gestor não é aquele que ostenta saldo bancário, mas aquele que executa o orçamento de forma tempestiva e responsável, gerando valor público e fortalecendo a confiança da sociedade no uso dos recursos.
A administração pública precisa adotar uma visão orientada a resultados, onde indicadores como taxa de execução orçamentária, prazo médio de liquidação e pagamento e índice de conversão de despesas em entregas devem substituir o velho fetiche do "saldo de caixa".
Assim, um governo eficiente é aquele que planeja, executa e presta contas, demonstrando que cada real arrecadado foi aplicado de forma transparente e gerou retorno social adequado.
Portanto, na contabilidade pública, caixa cheio não é sinônimo de boa gestão dado que eficiência pública não se mede pelo saldo, mas pelo resultado.
Notícias Técnicas
Publicado a Versão 12.1.3 do Programa da ECF válida para o ano-calendário 2025, situações especiais de 2026 e para os anos anteriores
Gestores de acesso nas EFPC devem definir os papéis dos usuários
A Receita Federal publicou a IN RFB nº 2.324/2026, que exige registro prévio para empresas exportadoras adquirirem ou importarem insumos com suspensão do IPI
A Receita Federal publicou a Solução de Consulta nº 4.015/2026, que trata da inclusão de subvenções e incentivos de ICMS na base do IRPJ e da CSLL
Especialistas alertam para 'apuração assistida' e a nova dinâmica do XML da NF-e
Proposta da equipe econômica detalha alternativas de tributação e é etapa necessária para início da cobrança do IS a partir de 2027
Medida provisória altera regras do crédito consignado, reduz margem ao longo dos anos e muda prazos para aposentados e pensionistas
Norma publicada no Diário Oficial impõe novas exigências de cadastro, endurece penalidades e permite quitação de valores retroativos aos pescadores
A COSIT da Receita Federal, por meio da Solução de Consulta nº 74/2026, emitiu parecer parcialmente favorável sobre retenções de CSP e IRRF em contrato de PPP de iluminação pública
Notícias Empresariais
Tudo começa com o que você decide acreditar sobre si mesmo antes de qualquer estratégia
A maternidade costuma ser narrada como obstáculo na trajetória profissional feminina. E, de fato, ela impõe desafios reais, sobrecarga e limites concretos
Líderes que vivem sob estresse, excesso de demandas e decisões constantes precisam desenvolver pausas conscientes, escrita estratégica e autoliderança para amadurecer sua forma de pensar, agir e conduzir pessoas
O Pix consolidou-se como o principal meio de pagamento do Brasil em poucos anos e agora entra em uma nova etapa de evolução
Em um mercado pressionado pela falta de profissionais qualificados, empresas ampliam modelos híbridos e autonomia
Como a inteligência artificial, através de assistentes virtuais como a Ada, otimiza a comunicação e a produtividade em ambientes corporativos
A linha tênue entre a ferramenta financeira e a dependência operacional no varejo
Levantamento conclui que políticas sociais estimulam autonomia
Que tipo de empresa estamos nos tornando enquanto decidimos tão cuidadosamente?
Existe uma forma silenciosa de desrespeito que as empresas praticam todos os dias e chamam de cuidado. É o eufemismo no lugar da verdade
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade
